O LIVRO DA MINHA VIDA

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Gosto de imaginar que a minha vida é como um livro, cheia de capítulos. Um livro cuja 1ª e única edição saiu em 10 de março de 1982, tempo em que ainda se datilografava! A idéia original acerca deste livro nasceu no coração de Deus (também conhecido como Autor da Vida), mas a personagem principal foi fabricada pelos seus próprios pais, em um apartamento no centro da capital paulista (tinha que ser, mesmo!!!), numa noite fria de inverno do ano de 1981. Contudo, não são eles os autores. Eu mesma acumulo o papel de autora E personagem principal, mas, obviamente, não única. Pois assim, que história sem graça seria essa! O Livro da Minha Vida está repleto de diversos outros personagens: coadjuvantes, secundários, figurantes, antagonistas, mocinhos, bandidos, vilões…e são eles que, mesmo sem saber, ou até mesmo sem querer, me ajudam a escrever parágrafo após parágrafo, capítulo após capítulo.

Se eu voltar para as primeiras páginas, vou relembrar de quando eu era criancinha lá em São Paulo e compartilhava a minha chupeta com o “Toco” (cachorro da minha prima), cantava “Chove lá fora e aqui faz tanto frio”, do Lobão, olhando a noite fria e chuvosa da janela do apartamento, suspirava pelo César Filho na televisão, dizendo “Exe é o homem da minha vida”. Vou recordar de quando eu ficava sapateando em cima da mesa e eu me sentia como que em um palco, com todos me aplaudindo, e também do dia em que, correndo pelos cômodos do apartamento, dei com a cabeça bem na quina do corredor, o que rendeu inúmeras lágrimas e uma leve cicatriz que dura até os dias atuais, do lado esquerdo da minha testa.

Alguns capítulos mais adiante, posso rever a época em que tive que morar em Manaus, onde milagrosamente ganhei uma irmã mais velha (!!!) que eu aprendi a admirar e a amar demais, onde aprendi a escrever e a ler, e por isso queriam me adiantar duas séries na escola, mas minha mãe não deixou. Foi lá também que visitei navios transatlânticos gigantescos, e em um deles fui convidada a partir em um Cruzeiro para me apresentar em shows (com apenas 7 anos!!) com a orquestra, por diversos países. Ainda em solo amazonense, foi que eu conheci a Dança. Anos mágicos, aqueles!

Os capítulos seguintes contém inúmeras histórias da pré-adolescência e adolescência. Quanta coisa pra ser sentida. Quanta coisa a ser vivida, falada, chorada…quantos namoradinhos que deixei de coração partido. E quantos partiram meu coração…Época do primeiro beijo, da primeira menstruação (“Ela já é mocinha!!”), do primeiro desejo, do primeiro namoro sério…Nesse tempo, também, foi que comecei a aprender a importância de se cultivar amizades. Quantos amigos tão queridos e amados tive, alguns deles perduram até hoje! Época em que, com eles, ríamos até de uma lagartixa na parede, aprontávamos pelos shoppings da cidade, jogava vôley e andava de quadriciclo na praia. Tem coisa mais deliciosa do que sair pra paquerar com as amigas, nessa fase??

Ah, e como poderia também esquecer das agendas e dos diários, tão cruciais naquele tempo, ainda mais pra quem, como eu, desde então gostava de escrever?

Nessa parte do livro também encontro o capítulo dos tempos de dançarina/bailarina. Ballet, jazz, sapateado, dança moderna, dança contemporânea, até dança folclórica!! Quantas sapatilhas, meias-calça, collants, coques e redes de cabelo! Quantos adereços e fantasias. Infinitas horas de ensaio sem intervalo, disciplina, nada de comer gordura ou refrigerante (mas o chocolate, nunca consegui dispensar, né Thá?? Rsrsrsrs), calos, algodões, esparadrapos, Salonpas spray, pra aliviar a dor. Como um dia esquecer daquele cheiro da coxia do teatro, segundos antes de entrar no palco? Como esquecer seu professor e coreógrafo te elogiando depois de uma apresentação, e te chamando pra fazer parte da Companhia dele, que iria sair em turnê pela Alemanha? E, nos dias seguintes, a guerra com o pai, em casa, pela sua autorização, que nunca saiu. Este capítulo se encerrou com um sonho abandonado lá nos porões do meu coração, frustrado. Com fantasias e sapatilhas e fotos e filmagens jogadas ao lixo. Está tudo lá, registradinho no Livro da Minha Vida.

Nos capítulos da Juventude, quantas histórias loucas, incríveis, engraçadas, e até perigosas! Quantas viagens com as amigas!! Gargalhadas! O primeiro carro e a sensação indescritível de liberdade. A aprovação no vestibular de uma Universidade Federal. A maioridade!! A primeira vez (nada boa!!), as primeiras vezes (depois foi melhorando…). Os muitos shows, as tantas festas, os jantares, as noites amanhecidas na rua. O primeiro estágio. O primeiro emprego. O primeiro salário. A época em que fui intérprete, convivendo com gente do mundo inteiro, que delícia!!! Morar só e dividir apartamento com amigas, era um sonho se realizando!

A igreja também rendeu muitos capítulos bons. Orações respondidas. Milagres vivenciados. Quanta gente eu pude, mesmo na minha pequenez, ajudar. Quanta gente diferente de mim eu aprendi a amar. A descoberta do dom pra cantar. O noivo com quem me permiti sonhar tão alto, por acreditar se ele o homem da minha vida!…

Neste Livro também há capítulos chatos, tristes, dramáticos……a perda de três futuros irmãos, as depressões da minha mãe, os porres e as traições do meu pai, os choros contidos no travesseiro, na calada da noite, a separação, o medo…Depois, o sonho de ganhar uma bolsa de Direito pros Estados Unidos se esvair, depois de ter chegado tão perto…Mais recentemente, o fim do noivado, o casamento desmarcado, outro sonho enganado! Doeu (e muito!!) Mas, eu vivi e sobrevivi.

Folheando agora estas páginas, estes capítulos encerrados, não tenho como não me orgulhar. Fora, sim, muitos erros cometidos. Existem ainda, sim, tantos defeitos a serem corrigidos. Mas, de igual modo, quantas experiências vividas! Quantas lições aprendidas! QUANTA VIDA JÁ VIVIDA! E ainda há tanto por vir…não desisti de escrever o capítulo entitulado “Meu casamento”, pra depois redigir o “Minha família” (este será escrito a 4 mãos! Que bom!!). Sonho com o dia em que começarei a escrever aquele capítulo de nome “Maternidade”. E tantos quantos outros ainda escreverei……

Em minha vida, hoje, posso sentir de uma forma tão real, quase que palpável, uma página sendo virada. Um capítulo sendo encerrado, e outro iniciado. Como, ou quando ele findará? Não tenho como prever! A História da Minha Vida é uma história com um final almejado, mas, definitivamente, nada em definitivo que não possa ser mudado ao longos das vírgulas destas frases que seguirei escrevendo.

Meu desejo é que cada capítulo seja melhor, mais bonito e mais intenso do que o anterior. Mas, eu não sei ao certo como de fato será. E também, nem desejo adivinhar. Prefiro viver, e escrever….

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