Dor.

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“A dor assume muitas formas. Uma pontada. Uma dorzinha, uma que vai e volta. Dores normais nós temos todos os dias. Mas existe aquela dor que não podemos ignorar. Uma do tão grande que bloqueia tudo mais. Que faz o resto do mundo desaparecer. Até que a única coisa em que podemos pensar é como está doendo. Como lidamos com a dor é com cada um de nós. Dor. Anestesiamos, aturamos, abraçamos, ignoramos. E para alguns de nós, a melhor maneira de lidar com a dor é na marra.Dor. Você só tem que enfrentá-la. Esperar que vá embora por si mesma. Esperar que a ferida que causou, sare. Não existem soluções. Nem respostas fáceis. Você só respira fundo e espera até que passe. Na maioria das vezes, a dor pode ser tratada. Mas às vezes, a dor te pega quando você menos espera. Te ataca de modo traiçoeiro e não te deixa.   Dor. Você só tem que lutar contra ela. Pois a verdade é que não é possível livrar-se dela. E mesmo que fosse, a vida sempre criaria mais.”(Meredith Grey, em Grey’s Anatomy – ep. 02.04)


Sinto dor.No meu peito, juro que existe um buraco. As pessoas podem não ver. E eu mesmo, quando olho no espelho, não o vejo. Mas, eu sei que ele está lá, porque eu sinto. Fazendo uma referência bem adolescente e um tanto quanto tosca: como quando a Bella Swan foi abandonada pelo Edward Cullen em “Lua Nova”, e ficou meses a fio como que ligada no piloto automática. Não consigo lembrar da última vez em que fiquei tão triste assim…não consigo! Eu tinha me esquecido de como sofrer por causa disso era tão ruim e difícil!

Minha vontade? Ficar o dia inteiro trancada no quarto, debaixo das cobertas, dormindo. Porque, pelo menos enquanto durmo, não penso. Mas, ainda assim, o buraco e a dor não saem de lá. Sim, eu sei que está tudo muito recente. E eu odeio ouvir as pessoas dizerem que isso vai passar, porque, pô, eu sei que vai. Um dia vai, quando vai ser esse dia eu não sei, pode demorar, pode ser logo…só que quando a gente se sente assim, parece que é tão forte que nunca vai ter fim.

Eu ando por aí, saio, trabalho, malho, respiro. E tento esconder tudo isso.  Talvez até algumas pessoas nem percebam nada.Mas…(suspiro)… é tão difícil…sei que não sou boa atriz, nem boa em fingir nada. Nunca fiz teatro! Se pelo menos existisse um analgésico que fizesse essa dor passar. Tem horas que, sem eu me dar conta, as lágrimas começam a sair dos meus olhos. Já tive que sair da minha sala no trabalho várias vezes nos últimos dias, por causa disso.É um saco! E eu não sei exatamente o que fazer pra que isso não aconteça,  pra que o buraco e o vazio não doam tanto tanto.

Não sei. Não sei. Não sei.

As pessoas falam comigo e só o que eu escuto é “Blá, blá, blá, blá!”. Não consigo me concentrar e confesso que ando até com receio de dirigir, porque, por exemplo, já passei do retorno que tenho pegar pra ir pra minha casa umas 3 vezes. Simplesmente, esqueci. Desligada. Distraída. Avoada.

E sabe o que é o pior de tudo?? É que eu concordo com tudo o que ele disse. Ele tem razão, em tudo! E não tenho nem um pingo de raiva nem de mágoa, porque até agora não tenho motivos pra isso.

E tudo o que eu posso fazer é continuar respirando…

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