As estações da vida.

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Tenho um certo fascínio pelas estações do ano. Elas tem um “quê” de magia, de encanto…acho fantástico que a mesma paisagem mude tanto a cada três meses. Não sei se é porque grande parte dos meus 28 anos de vida eu morei em lugares onde as estações do ano não são definidas (onde moro atualmente, pra mim é verão o tempo todo – modalidade calor e umidade infernais – mas tem gente que insiste em chamar a época das chuvas de inverno, fazer o que?), mas acho tão gostoso essa coisa de você ter um guardarroupa  (detesto escrever essa palavra assim!!) pra cada estação: shorts, mini-saias, vestidinhos, regatas, tops, pro verão. Pro inverno: casacos, jaquetas, cachecóis, pantufas,etc. Acho tão gostoso, também, lembrar as coisas conforme as estações do ano, tipo: o verão de 1993 em Salinas (descobertas!), o verão de 1996 em São Paulo (uma das melhores estações de toda a minha vida!), o inverno de 2000 em Campos do Jordão (paixão!!), o inverno de 2004 em São Paulo (mudanças!!), o outuno de 2003 em Brasília (solidão!), e por aí vai…..

Então, pensando nisso, nessas transformações constantes pelas quais o mundo ao nosso redor (e ao redor de todo o Mundo) passam, penso que a nossa vida também pode ser divida assim, em ciclos como se fossem estações do ano, que na verdade eu gosto de chamar de estações da vida, ou estações da alma.

O inverno da vida da gente é aquela época mais introspectiva, onde o frio, seja da ausência de sentimentos ou das feridas causadas por eles, dói. Aquela época em que tudo o que a gente mais quer é ficar trancada dentro de casa, deitada no sofá ou na cama, debaixo de um cobertor, com meia no pé e caneca de chocolate quente na mão. Tudo pra não enfrentar o frio lá de fora. O tempo fechado, cinza, nublado…nessa época, nossa alma fica assim mesmo: sem graça, opaca. No inverno bem invernoso, você olha as coisas e parece que está tudo morto, sem vida. Parece que não tem mais jeito nem esperança pra que nada renasça. Quem nunca passou por uma fase dessas???

E o outono? Eu diria que é a estação da mudança, da preparação para o novo (que pode ser um “novo bom” ou um “novo ruim”). No outono, as folhas da nossa vida vão amarelando, amarelando, até caírem. Ficamos secos e relativamente mornos: nem quentes como no verão, tampouco frios como no inverno. Parece que tudo é “mais ou menos”, tudo é um meio-termo. Geralmente, os nossos outonos também acabam fazendo ser necessário uma limpeza geral, afinal, quem aguenta ver um monte de folha amarela, seca e morta amontoada pelo chão da nossa vida? Não tem como seguir em frente com esse lixo todo acumulado lá. Quando digo lixo, entendam coisas desnecessárias e absolutamente inúteis. E o pior de tudo é quando a gente insiste em levar esse lixo do outono adiante, estaçao após estação, e a coisa vai acumulando cada vez mais!

A primavera. Ah, primavera, primavera!!! A estação das flores mil! Dos perfumes, dos pássaros cantando, do colorido! Que bom seria se todos os dias da nossa vida pudessem ser primaveris!! Beleza, ânimo, disposição, delicadeza. São os períodos mais gostosos das estações da nossa vida: tempo de sorrisos bobos, de borboletas por sobre as flores (e no estômago tb! rs). É o tempo do renascimento. Enquanto que no outono nos despimos das folhas secas e velhas, na primavera, nos “vestimos” do verde, da vida nova…a primavera é aquela época em que o que de melhor a gente pode fazer é apenas admirar a beleza das coisas (de dentro e de fora), alegrar-se com isso, e fazer o possível para contagiar os outros com esse ar primaveril da nossa vida!

Já no verão…calor, fogo, agitação…alta temperatura do lado de fora, e também dentro de nós mesmos. São aqueles tempos em que parecemos estar a mil: várias coisas importantes acontecendo ao mesmo tempo! Nessa época, como, de igual modo, acontece onde é Verão, os dias da nossa vida também são mais longos do que a noite. Não há tanto choro, nem tanta dor, nem mesmo tanto tempo para se parar e pensar em chorar ou em doer. O verão é o tempo de arejar a alma, de clareá-la, de se mexer, agitar-se…as maiores reviravoltas das nossas vidas acontecem quando a estação dentro de nós é o Verão.

Na natureza, as estações do ano tem que obedecer uma ordem: Primavera-Verão-Outono-Inverno-Primavera-Verão-Outono-Inverno……….Já nas nossas vidas, a ordem nem sempre é essa. Na verdade, aliás, não existe para as estações da nossa vida uma ordem específica. Analisando, por exemplo, os últimos meses da minha, poderia dizer que vivi a seguinte ordem: Verão-Primavera-Inverno, e agora estou no Outono. A ordem, na verdade, quando se trata das estações da vida, não importa. O que importa, e isto sim é consideravelmente relevante, é que a estação seguinte sempre depende, é influenciada e resulta da anterior. Como nasceriam flores lindas na primavera, se as folhas não tivessem caído no outono, e permanecido (aparentemente) mortas no inverno? Como curtiríamos o sol e a quentura do verão com tanto gosto, se não tivéssemos sentido o frio cortante das longas noites invernosas?

O tempo de duração das estações do ano é o mesmo para todas: 3 meses, que fecham um ciclo perfeito de 1 ano. Nas estações da vida, não é bem assim que funciona: há pessoas que passam anos no mais profundo e rigoroso inverno! Já para outras, o inverno dura apenas poucos dias, e logo vem o verão, ou, quem, sabe, a primavera! Mas isso é porque, quando se trata de nós, seres humanos, o que interessa não é o montante exato do tempo em si, mas sim o que cada uma dessas épocas na verdade representa para nós: fases de transição, ciclos de passagem. Três meses de folhas caídas para uma pessoa pode não ser tão necessário quanto um ano de inverno para outra. Cada qual tem seu ritmo, seu tempo, cada vida segue um compasso diferente, dado por nós mesmos. Penso que o importante é não estagnar em estação alguma! Todas as paralisações são maléficas. Elas tendem a quebrar um ciclo, e acabam nos fazendo ter que voltar ao começo de tudo, seja lá onde isso for ou o que isso significar!! Sim, sei que às vezes parece que a coisa fica tão pesada e difícil que o que mais a gente quer é entregar os pontos e simplesmente desistir. Eu mesma, por quantas e quantas vezes já não quis fazer isso?? Mas, se a gente parar, e aí? Aí mesmo é que não vamos chegar em lugar algum! Por isso, a gente deve viver cada estação dentro do tempo necessário para que ela se conclua, e nem um segundo além desse tempo!

Falando de mim: tive um verão agitadíssimo, super intenso, cheio de acontecimentos diários. Minha mente e meu coração fervilhavam!! Daí, os meses foram passando e veio a minha primavera…ah, essa eu bem que queria que não tivesse acabado ainda, por ser tão boa! Época gostosa demais, a da primavera!…Sorrisos bobos para o “nada”, elevadores na barriga, suspiros profundos…Mas, ela acabou! E veio seguida de um inverno que talvez nem tenha sido dos mais longos, mas, certamente foi profundo! Do outono, ainda não posso falar muito, ele mal começou…

Acho fantástico isso da gente: de podermos ser nós mesmos, mas de formas tão diferentes, com intensidades variadas, formatos diversos…Assim como a paisagem da imagem lá de cima muda tanto entre uma estação do ano e outra, é a nossa alma, durante as estações da vida. A minha esteve cinzentinha por um tempo, como vocês puderam ler a alguns posts atrás…agora, ela já está ficando amarelada-alaranjada-avermelhada, o que, creio, eu, já é um bom sinal, pois pelo menos possui cor, não é??

E você, saberia dizer em qual estação sua alma está?

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