NOSTALGIA

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Saudades…

Saudade dos meus 4 ou 5 anos, quando o meu maior medo era e meus pa13-balloon-lonely-girl-sad1is iriam me buscar na escola, ou se iriam me esquecer lá.

Saudade das idas, toda tarde, na casa da minha vó, ali na (antiga) Av. São Jerônimo. Saudade do pão massa grossa comprado na padaria da esquina, que eu e ela comíamos, quentinho com manteiga derretendo por dentro. Saudade de vê-la sentadinha na cadeira no pátio, me esperando chegar.

Saudade das brincadeiras na rua: amarelinhas, “pira-alguma coisa”, o chefe mandou, cemitério, bandeirinha, taco…

Saudade de passar o ano inteiro esperando dezembro chegar, e ir pra São Paulo com a maior felicidade do mundo! Saudade de saber que os meus amigos de lá passavam o ano inteiro perguntando por mim para minhas primas e tias.

Saudades das músicas das fitas k-7 que minha mãe tinha no Kadett dela, e que ouvíamos na volta para casa, depois do colégio-inglês-ballet…

Saudade dos feriados em Salinas, e da ida, no fim da tarde, ainda de biquini, para a Pracinha, com minhas amigas e primas.

Saudade de quando eu tinha 12 anos e a maior preocupação da minha vida era a minha nota em Matemática, ou se o namoradinho da escola ia ligar pra mim no final de semana.

Saudade do frio na barriga que eu sentia, a cada apresentação, na cochia do palco, segundos antes de iniciar a apresentação. Saudade do cheiro dos camarins do Teatro da Paz…Saudade de xingar a sapatilha e reclamar dos calos. Saudade dos 597 rolos de esparadrapo que eu gastava para (tentar) proteger os dedos. No fundo, eu amava aquilo…

Saudade de querer aprender a cantar Faroeste Caboclo, e ficar o dia inteiro ouvindo a rádio, esperando para gravar a música na hora que tocasse, e depois passar horas dando play e pause na fita. Tudo para copiar a letra e aprender a cantar, só para impressionar o primeiro amor…

Saudade de andar de patins pela casa toda, e depois ouvir bronca da minha mãe por ter machucado o chão de madeira nobre corrida!

Saudade de tomar banho de piscina a noite, no verão, com os primos e primas.

Saudades de quando meus pais eram casados, e não existiam padrastos nem madrastas na história.

Saudade de ficar no quarto com minha irmã e primas, ouvindo músicas melosas, todas nós chorando e suspirando pelo Fulano, ou Cicrano, ou Beltrano…

Saudade de quando eu morava com meus pais e não havia a sensação de aquela já não era mais a minha casa e que eu precisava procurar meu canto, porque ali era o meu lugar.

Ai, quanta saudade…!

Que saudade de não me preocupar se o dinheiro que eu ia ganhar ia dar pra fazer tudo o que eu queria, e se não desse, eu podia correr pedindo pros meus pais.

Saudade de quando eu era adolescente e reclamava das espinhas. Pelo menos não havia rugas naquela época…

Ai saudade…

Tanta saudade.

Muita saudade.

Saudade demais.

Saudade que dói…

Saudade de quando eu era ingênua a ponto de achar que ser adulta seria  a melhor coisa do mundo!

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Uma resposta »

  1. A parte que você fala da musica e do play/pause na fita foi demais, me lembrei desse tempo. E quando enrola a fita então? Caramba, como hoje é tudo mais fácil rsrsrsrsr

    Sentir saudades é bom, é sinal que viveu bons momentos e esperança que outros tantos podem chegar a qualquer momento.

    Abraços

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