Consumismo exagerado

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imagesJá passei por isso. Ufa! Já passei…passado. Graças ao meu bom Deus!!

Já fui daquelas de querer ter tudo. Todas as bolsas novas, os cremes novos, os telefones novos, os sapatos novos, as maquiagens da última estação, e o lançamento das novas coleções das lojas de roupas. E, obviamente, eu não podia ter tudo. Mal trabalhava (estagiava, na verdade, com direito a um minguado salário mínimo) e na verdade era sustentada pelos meus pais, que nunca foram ricos ricos, apenas também trabalhavam pra caramba pra poder nos darem uma vida confortável. Logo, se eu queria ter tudo, mas não tinha o dinheiro para isso, sobravam as dívidas. E elas foram crescendo cada vez mais, eu fui caindo no fatídico erro de só pagar o mínimo do cartão (porque não tinha dinheiro pra pagar o total da fatura), assim comecei devendo X, e terminei devendo 10 vezes X. Redundante dizer que não consegui mais pagar né? Meu nome foi pros órgãos de proteção ao crédito, as empresas de cartão me ligavam quase que diariamente, fazendo terrorismo cobranças, e eu…? Bem, nem sei dizer como que eu fiquei, acho que não sou capaz de traduzir em palavras a forma como me sentia com tudo isso. O pior é que esta situação era agravada pelo fato de que, sem crédito, eu pouco (ou nada) poderia comprar das coisas novas que nunca param de surgir nas vitrines. Isso me deixava ainda mais chateada, ainda mais deprimida, ainda mais triste, ainda mais puta!!!! Aqui entre nós, quem tem esse tipo de problema (que, na minha opinião, hoje sei, chega a ser patológico, sim!!) sempre quer arranjar uma desculpa pra comprar mais. “Tenho um casamento! Preciso de roupa, sapato, bolsa e acessórios novos. Tenho que dar um bom presente ao noivos. Preciso ir ao cabelereiro para estar linda na festa!”. “É final de estação, as lojas estão cheias de sale!!”. “É início de estaão, tenho que ter aquele sapato-bolsa-blusa que vai estourar durante os próximos meses. Todos vão estar usando, não posso ser a única a não tê-los!”. A gente vai se enganando, e diz que é só dessa vez, que é só este mês, só que não “é só”, a coisa continua, continua, continua e continua…….

Voltando a mim, aconteceu que me vi numa situação do tipo “se sair da panela, caio no fogo”. Eu não podia comprar o que queria, porque não tinha mais dinheiro nem crédito. E não tinha crédito nem dinheiro, porque comprei mais do que podia. Como resolver isso?? Chorar? Se descabelar? Se matar? Pedir pros amigos e familiares fazerem uma vaquinha pra te ajudar? Será que ajudaria mesmo?? Ou você iria pegar o dinheiro, ia pagar a fatura do cartão, e ia sair do banco direito pro shopping pra comprar só aquele perfuminho que você must have???

Bem, eu não tive opção. Tive que me conformar com o que tinha (e que, diga-se de passagem, não era pouca coisa!! Tinha roupa dentro do meu guardarroupa que tava ainda com a etiqueta há meses!!), e me acostumar a não ter mais o que eu queria, mas não podia ter. E sabe qual foi meu espanto em meio a isso tudo???? Eu era capaz de viver, sem comprar aquelas tais coisas. Lógico, no início foi péssimo, terrível, tenebroso, horripilante. Sem exageros!!! Como ir a faculdade sem estar usando aquele sapato da moda?? “Oh céus, o que vão pensar de mim!!”. Depois, conforme o passar do tempo, e com muito sacrifício e dor, fui conseguindo enxergar que TER não era tudo na vida. Entendi que, ao contrário do que podiam pensar (e do que eu mesma pensava a  meu respeito) TER as coisas não me fazia SER. Vi que o que me fazia SER uma pessoa legal não era o fato de ter aquela calça de marca, ou aquela bolsa chiquérrima. Meus amigos (os verdadeiros) e minha família não gostavam de mim por causa disso. Eles gostavam da Ana simpática, sorridente, brincalhona, engraçada, prestativa…se essa Ana TINHA roupas e acessórios desta ou da estação passada, para eles, isto não importava, era detalhe. O importante era o meu SER, quem eu era, quem eu sou, e não o que eu possuía! Muito aos poucos, eu fui conseguindo entender e enxergar isso. Através das dívidas, através das lágrimas de frustração por não poder comprar o que a tv e os sites e os outdoors anunciavam, afundada e afogada em meio a tudo isso, fui capaz de entender essa dura, porém abençoada lição.

Na época, estava na igreja, firme e forte, e isso me ajudou bastante, é claro! Lembro de ouvir alguém dizer: o rico não é quem tem muito dinheiro, mas sim quem gasta menos do que recebe. Por muito tempo, essa verdade martelava em minha mente…e assim, fui passando por uma espécie de reeducação.

ATENÇÃO: esse processo todo levou meses e meses, diria até anos…quando eu estava no auge do meu “beckybloomismo”, se alguém viesse me dizer que eu tinha um problema e que comprava compulsivamente, certamente aquela pessoa seria atingida com minha VH lançamento. OU, eu ficaria deprimida, e iria ao primeiro shopping da esquina fazer terapia compras pra passar a raiva-tristeza.

Como disse acima, o tempo passou, eu não morri por não poder mais comprar compulsivamente, eu arrumei um emprego bom, e depois outro melhor ainda, e fui podendo pagar as dívidas. Acreditem: o prazer que eu tive em pagá-las, superou em muito o prazer que tive na hora da compra de cada coisa. Sério mesmo!!! Ao pagá-las, era como se eu tivesse comprando minha libertação. Uma sensação de leveza e de paz e de “dever cumprido” indescritíveis……

Daí, com o nome “limpo” novamente na praça, viria o novo teste: a tentação de tirar novos cartões!!! E o medo e a dúvida: se eu tiver, vou saber me controlar?? Ou corro o sério risco de cair no mesmo erro?? Sinceramente, prefiro NÃO pagar pra ver! Já teve gente que me perguntou como que eu consigo sobreviver sem ter cartão de crédito. Aí é que está: eu não SOBREvivo pagando as faturas, mas sim VIVO, sem elas, e muito bem, obrigada! Se tenho dinheiro e posso, compro. Se não, fico sem e amém, tudo bem! Claro, as vezes dá uma chateaçãozinha de não poder ter aquele bibelô lindo pra por na estante da minha casa (estou num momento dona de casa, lembram-se? rsrsrs), mas essa chateação é um  milhão de vezes menor do que a preocupação e a culpa de estar com o armário de sapatos lotado, e a carteira vazia! Para ser honesta com quem quer que seja que venha a ler esse post, eu tenho cartões apenas de supermercados e de 2 lojas de “departamento” e fast fashion. E nenhum deles eu permiti limite alto, pelo contrário, pedi para reduzir o limite que me deram. Quando preciso comprar algo que seja “caro”, peço para alguém com quem eu tenha intimidade e que tem limite alto e não tem problema de compras compulsivas, para tirar em seu cartão, assim, não corro risco de não pagar, afinal não vou querer ficar devendo essas pessoas, certo?! Eu não sou de confiar em  mim, nesse sentido, e nem sei se um dia serei. Só o tempo é que vai dizer…por enquanto, estou bem do jeito que estou.

Nossa sociedade é capitalista demais e consumista demais. Se hoje você compra um aparelho super-mega-power-uber-hight-tech,pode ter certeza de que daqui a 2 meses já haverá outro ainda mais potente e o seu será considerado ultrapassado. Quando se está no verão, as marcas lançam a moda do inverno. E quando chega o inverno, liquidam as coisas do verão, e começam a anunciar a coleção da primavera. Os sites e blogs diariamente divulgam novos produtos que vão chegar ao mercado, de todas as áreas – beleza, vestuário, calçados, maquiagens, bebidas, e até comidas. Digo isso tudo para esboçar que, por mais que você queira e tente TER TUDO, você nunca vai conseguir vencer a velocidade com que as coisas entram e saem das vitrines! E, acredite, vai chegar uma hora em que essa bomba vai estourar…

A Becky Bloom conseguiu se redimir…fez um grande bazar das coisas (e eram muitas!!!) que ela tinha, para conseguir pagar a dívida no banco. E deu certo! Mas, a Becky, por mais que tenha sido inspirada em alguém de carne e osso, é uma personagem de um livro de ficção. Na vida real, a coisa é bem diferente……

Essa é a primeira vez que externo isso assim, desta forma. Por muito tempo, tive vergonha de mim e desse meu tipo de comportamento. Não estou aqui julgando ninguém, muito pelo contrário. Compartilho minha experiência para, de alguma forma, conseguir ajudar quem, por ventura, tenha o mesmo tipo de problema que eu tive.

Quero terminar apenas relembrando que não estou dizendo que quem gosta de comprar está errado. NÃO!!! Mas, se você se identificou em algum(ns) ponto( s ) da minha história, vive com a conta bancária no vermelho e com os cartões estourados, sem ter como nem pra onde correr para sair dessa situação, e seu guardarroupa e penteadeira estão abarrotados, talvez seja a hora de parar para pensar. A consicência de cada um que o diga. Eu o fiz. SOBREvivi. E hoje, vivo. TENDO um pouco menos, com certeza. Mas, sem dúvida, SENDO bem mais do eu era antes. Não  melhor do que ninguém, nunca fui. Sou, apenas, melhor do que a Ana de antes. E isso já me basta! =)

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