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Amizade de várias cores.

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rainbowNos últimos dias tive o prazer e a felicidade de rever uma pessoa que foi/é  importante demais pra mim. Talvez, mais até do que ele mesmo saiba. ABRE PARÊNTESES Eu e essa minha mania de, por muitas vezes, acabar não deixando que as pessoas ao meu redor saibam o quanto eu gosto delas, o quanto preciso delas e quão importantes elas são pra mim FECHA PARÊNTESES.

Fazia mais ou menos no mínimo uns 1825 dias – se você for bom de matemática, saberá que isso quer dizer 5 anos, ou 60 meses – que nós não nos víamos. E quanta coisa aconteceu e mudou na minha vida, e na dele, nesse meio tempo. Mas, de igual modo, quanta coisa permanece igual. Principalmente, quando sentamos frente a frente e começamos a conversar. A confiança, a tranquilidade, a liberdade, e, porque não dizer, a intimidade…são coisas que, na sexta passada, pude constatar, não mudaram. E creio que nunca mudarão.

Nossa história é meio complicada, cheia de idas e vindas e de altos e baixos. Éramos amigos…daquele tipo pra quem se liga a qualquer hora do dia (ou da madrugada), seja pra falar coisa importante ou pra falar nada demais. Lembro, por exemplo, como ele foi importante, diria até essencial, na época em que meus pais se separaram e eu era só uma garota de 19 anos recém ingressa na universidade. Lembro de quando eu saí da balada umas 5h am, liguei pra ele e fui lanchar e, quando vi, ele tinha percorrido algumas dezenas de quilômetros em poucos minutos só pra me ver-falar comigo. Lembro de tantas outras coisas…de algumas outras certamente esqueci (como ele bem sabe que acontece: sempre esqueço de algumas coisas! Mas, lembro também que, assim como ele tem boa memória, costumava dizer que eu não tinha a memória ruim, mas sim seletiva).

Então, aconteceu que ele começou a sentir por mim algo mais do que amizade (sei que fica estranha essa colocação, pois amizade não é sentimento, mas é que traduz exatamente o que quero dizer agora). O que, na época, não era recíproco. Passados alguns meses, eu passei a sentir por ele algo muito maior do que amizade. O que, naquele tempo, já não era mais recíproco. Daí em diante, a coisa desandou…foi difícil demais pra mim ter que lidar com aquele sentimento terrível de frustração. Tá, CONFESSO: foi não, até hoje ainda é! Mesmo assim, inevitável foi que ficássemos algumas vezes, ao longo de todo esse tempo.

Houve, sempre da minha parte, sei disso, cerca de 3 tentativas de deletá-lo da minha vida. Excluir o número de agenda telefônica, o email do catálogo de endereços, do MSN, etc. Em um desses períodos, inclusive, quando retomamos contato, ele estava doente…muito doente. Aliás, até hoje me sinto um tanto quanto culpada por não ter estado mais próxima dele naquele tempo como acho que deveria. Mas, sei que minha presença seria, no mínimo inconveniente, considerando que ele tinha namorada. E foi isso que sempre me impediu de estar mais perto dele do que eu gostaria, em diversos momentos, em inúmeras ocasiões. Outra tentativa deu-se quando ele mandou, por e-mail, o convite do casamento com a tal namorada.  Acho que nunca na minha vida eu tive uma vontade tão grande de quebrar o monitor do computador… (coisa boa é ter autocontrole, viu?)

Na real, nunca consegui dar shift+del no arquivo com o nome dele no meu “HD cerebral”. Em todas esta tentativas, as lembranças nunca deixaram de existir, elas apenas ficaram lá, na Lixeira, mas absolutamente aptas a serem restauradas para o cluster de origem a qualquer momento. E é isso que, aparentemente, está acontecendo agora.

Acontece que esta é uma situação com a qual não sei ao certo como lidar. Somos amigos, mas ele não é um amigo qualquer. Ele é algo além disso (não sei dizer o quê, exatamente), e acho que sempre vai ser, visto que já tentei demais mudar esse estado, mas sem obter êxito! Sem contar que, como é CHATO não poder mais falar com ele  a qualquer hora do dia e da madrugada, e ter que ter todo um cuidado pra nos encontrarmos, com o detalhe da hora marcada pra ir embora (o que antes, com ele, nunca acontecia, pois com relação a isso ele tinha liberdade total), tudo por causa da sua “Senhora” que, se viesse a saber da minha existência, surtaria (com certa razão, diga-se de passagem).

O fato é que na atual conjuntura, depois de tudo o que aconteceu e do que NÃO aconteceu, eu não quero ter que abrir mão da nossa amizade, não pelas diversas cores que ela possui, mas sim pelo significado que ela (a amizade) e ele, em si, possuem para mim. Com ele, sou eu mesma, sem máscaras, com minhas chatices, defeitos, manias, privações, dúvidas, idéias, recalques…e nunca me senti menos querida por ele em função de nada disso, pelo contrário! E o que é mais engraçado nisso tudo é que, céus, como nós dois somos diferentes!! Quantas discussões já tivemos, madrugada adentro, por possuirmos pontos de vista diametralmente opostos com relação a questões básicas da vida humana. Mas, ainda assim, sempre me senti, muito embora aborrecida pelo calor da discussão, incrivelmente enriquecida com toda aquela troca de informações, mesmo ele sendo o “cabeça-dura-teimoso-irredutível-com-relação-ao-que-ele-acha-de-determinadas-coisas” que ele é. Ele é daqueles amigos sinceros, capazes de dizerem na sua cara a mais pua verdade, ainda que ela doa. Também admiro tanto sua inteligência…e como é agradável poder desfrutar de sua companhia, sem falar de outras coisas que…enfim…não vêm ao caso agora! (hihihihih)

Quero tê-lo por perto, sim. Ele é importante para mim. Desejo ter tantas outras agradáveis horas de bate-papo com ele, sobre besteiras, sobre filosofia, sobre a “tonga da mironga do cabuletê” (:P) No final das contas, o que eu mais desejo é que essa amizade (ou dê-se o nome que quiser dar) jamais chegue a ser preta e branca ou cinza. Muito embora, repito, eu não saiba como lidar direito com essa situação no momento em que ela está. Mas, ainda assim, prefiro tentar e não simplesmente abandonar tudo como já fiz em ocasiões anteriores ao longo da nossa história. Não…definitivamente não vou fazer isso. Por que? Porque ele vale a pena…pelo que conheço dele, sei que vale, de verdade!

P.S.: Depois da última vez em que conversamos, agora sei que lês meu blog. Mas, enquanto escrevia esse texto, tentei não deixar que a idéia de que o lerias afetasse a verdade de cada palavra que eu queria dizer. Creio ter sido bem sucedida!