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Quebrada, partida.

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É assim que me sinto…como se estivesse literalmente rasgada, cortada em vários pedacinhos pequenininhos…e como isso causa uma dor…indescritível, indecifrável, incomensurável…!! Não sei de remédio, não vejo solução…e nem consigo, acho que não sei se ainda acredito existir. Porque é assim que me sinto: descrente, desacreditada e desacreditando.Vazia. Vazia. Vazia. Sem nada dentro. Só um vácuo, um buraco. Um nada, que dói por si só. Foi assim que fiquei depois das últimas coisas que me aconteceram….é isso que restou de mim. O que fazer agora, com esse resto? Eu não sei…

Poderia passar dias listando…meus erros, meus defeitos…frustrações, ilusões e desilusões, sonhos falsos  e desfeitos, feridas, perguntas não respondidas, dúvidas não saciadas, interrogações infinitas e persistentes…

Fui quebrada. Estou partida. Qem fez isso? Não saberia ao certo dizer…Mas, de certo, em muitos momentos, eu mesma fiz isso comigo!  Ativa ou passivamente…por deixar que outros fizessem isso em mim…eu o deixei chegar, tocar, alcançar onde talvez ninguém antes tivesse ido. Porque talvez esse fosse um lugar onde de fato ninguém deveria ir. Talvez, o certo seja mesmo não se abrir tanto, não se tanto, não ser sincera nem transparente demais…mas eu quebrei as regras do jogo, e permiti. Resultado? Estar como estou hoje.

O pior de tudo é não saber, ou, ainda, não crer que haja um conserto, um reparo…como voltar a ser como antes? Impossível, penso eu! Não há como…de certas coisas, não se tem como voltar atrás…e, ao mesmo tempo, cadê ânimo ou vontade ou disposição ou coragem para continuar, para seguir em frente, avante, adiante?? Cadê?? Onde está isto? Onde escondi, ou esconderam de mim, e porque???? E agora, pra onde vou? O que eu quero? Aliás, para que querer algo, ainda? Com que propósito e a que fim? Eu quero é o fim. O fim! O final, o encerramento de tudo, inclusive de mim mesma…Neste momento, não há vontades…não tenho mais vontades, elas não existem mais em mim, por ora…Sonhos? Perdidos, largados, abandonados…o único que me restava era você…mas agora, já nem sei mais se valeria a pena. Tão pouco tempo, e tanta bagagem…foram tantas lágrimas minhas e ainda são…tantos soluços…tantas madrugadas assim, desse jeito…tantas noites mal dormidas, pensando em tudo isso sem parar um segundo sequer…

Eu…simplesmente…não…sei! Não! Sei! Só que dói. E muito. E que eu não queria mais ter que sobreviver assim. Porque é dolorido e difícil demais. Não há prazer. Apenas me arrasto, dia após dia, e não sei até quando vou aguentar continuar assim….

Partida. Quebrada. Em 597 milhões de pedaços. E eu não tenho a menor idéia de como começar a me remontar…e, nem sei se ainda vale a pena…

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Dor.

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“A dor assume muitas formas. Uma pontada. Uma dorzinha, uma que vai e volta. Dores normais nós temos todos os dias. Mas existe aquela dor que não podemos ignorar. Uma do tão grande que bloqueia tudo mais. Que faz o resto do mundo desaparecer. Até que a única coisa em que podemos pensar é como está doendo. Como lidamos com a dor é com cada um de nós. Dor. Anestesiamos, aturamos, abraçamos, ignoramos. E para alguns de nós, a melhor maneira de lidar com a dor é na marra.Dor. Você só tem que enfrentá-la. Esperar que vá embora por si mesma. Esperar que a ferida que causou, sare. Não existem soluções. Nem respostas fáceis. Você só respira fundo e espera até que passe. Na maioria das vezes, a dor pode ser tratada. Mas às vezes, a dor te pega quando você menos espera. Te ataca de modo traiçoeiro e não te deixa.   Dor. Você só tem que lutar contra ela. Pois a verdade é que não é possível livrar-se dela. E mesmo que fosse, a vida sempre criaria mais.”(Meredith Grey, em Grey’s Anatomy – ep. 02.04)


Sinto dor.No meu peito, juro que existe um buraco. As pessoas podem não ver. E eu mesmo, quando olho no espelho, não o vejo. Mas, eu sei que ele está lá, porque eu sinto. Fazendo uma referência bem adolescente e um tanto quanto tosca: como quando a Bella Swan foi abandonada pelo Edward Cullen em “Lua Nova”, e ficou meses a fio como que ligada no piloto automática. Não consigo lembrar da última vez em que fiquei tão triste assim…não consigo! Eu tinha me esquecido de como sofrer por causa disso era tão ruim e difícil!

Minha vontade? Ficar o dia inteiro trancada no quarto, debaixo das cobertas, dormindo. Porque, pelo menos enquanto durmo, não penso. Mas, ainda assim, o buraco e a dor não saem de lá. Sim, eu sei que está tudo muito recente. E eu odeio ouvir as pessoas dizerem que isso vai passar, porque, pô, eu sei que vai. Um dia vai, quando vai ser esse dia eu não sei, pode demorar, pode ser logo…só que quando a gente se sente assim, parece que é tão forte que nunca vai ter fim.

Eu ando por aí, saio, trabalho, malho, respiro. E tento esconder tudo isso.  Talvez até algumas pessoas nem percebam nada.Mas…(suspiro)… é tão difícil…sei que não sou boa atriz, nem boa em fingir nada. Nunca fiz teatro! Se pelo menos existisse um analgésico que fizesse essa dor passar. Tem horas que, sem eu me dar conta, as lágrimas começam a sair dos meus olhos. Já tive que sair da minha sala no trabalho várias vezes nos últimos dias, por causa disso.É um saco! E eu não sei exatamente o que fazer pra que isso não aconteça,  pra que o buraco e o vazio não doam tanto tanto.

Não sei. Não sei. Não sei.

As pessoas falam comigo e só o que eu escuto é “Blá, blá, blá, blá!”. Não consigo me concentrar e confesso que ando até com receio de dirigir, porque, por exemplo, já passei do retorno que tenho pegar pra ir pra minha casa umas 3 vezes. Simplesmente, esqueci. Desligada. Distraída. Avoada.

E sabe o que é o pior de tudo?? É que eu concordo com tudo o que ele disse. Ele tem razão, em tudo! E não tenho nem um pingo de raiva nem de mágoa, porque até agora não tenho motivos pra isso.

E tudo o que eu posso fazer é continuar respirando…

A verdade dói.

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“I’ll tell you the truth about the truth: it hurts. So, we lie.”*

Eis uma frase, ou uma constatação, chame como você quiser, que eu escuto desde que me entendo por gente. A verdade dói. A VERDADE DÓI. E quer saber? Ela dói mesmo! Deus foi “O cara” quando não nos deu o poder de ler os pensamentos de ninguém. Senão, já pensou o caos que seria? Acho que ninguém ia conseguir se amar!!!

Mas, e a mentira? Na minha opinião, ela dói também. Quando ela é descoberta! Sim, porque (quase) toda mentira, uma hora ou outra, mais cedo ou mais tarde, acaba sendo descoberta. E, olhem só, quando acontece isso com uma mentira, ela dói ainda mais do que a tal verdade, viu? Porque é como se ela doesse duas vezes…

Então, se a verdade dói, mas a mentira dói mais ainda, porque é que as pessoas não falam logo a verdade umas pras outras? Falta de caráter. Covardia. Desrespeito, e por aí vai…

Eu costumo sempre dizer que meu maior defeito E minha maior qualidade são minha transparência. Quem me conhece, sabe como estou pelo meu olhar, e eu não consigo disfarçar (olha que eu até tento,viu?). Claro que isso não significa sair por aí destilando veneno em quem nada tem a ver com a causa da minha raiva/tristeza, muito pelo contrário. Nesse ponto, ao longo do tempo, consegui adquirir equilíbrio. Foi necessário treino e prática, mas…cheguei lá! Acontece que meu olhar, minha expressão facial me entregam fácil fácil…

Logo, por conta disso, sou uma pessoa que durante a vida toda procurou cultivar o hábito da não-mentira. ATENÇÃO: isso não significa que eu nunca tenha mentido, ou não minta. Claro que já o fiz, e ainda faço. Raras vezes, mas faço. Mas, taí uma coisa que eu detesto fazer, viu? E fico mal mal quando minto…me sinto culpada, com a consciência pesada…Como diria Renato Russo, “Um dia pretendo tentar descobrir porque é mais forte quem sabe mentir. Não quero lembrar que eu minto também!”

Eu confio demais nas pessoas. Em algumas, confio além da conta, até. E pra mim confiança é o tipo de coisa que independe do tempo: posso lhe conhecer hoje e já confiar em você como se fosse meu amigo há anos e anos. É, sim, eu sei, eu sei…sei que isso não é 100% certo. Porque me faz ser frágil demais. Me faz ser vulnerável demais. Me faz ser suscetível a (quase) todo tipo de gente.Talvez, por eu pensar e agir assim, por “n” vezes eu espero que as pessoas ao meu redor, em especial aquelas mais próximas e queridas, não mintam pra mim.  Mas, oh, que ilusão, não? Mas, oh, quanta ingenuidade, não? É…isso só seria real se eu vivesse num lugar chamado “O Fantástico Mundo da Ana Paula”. Como eu não vivo, vivo sim na Via Láctea, num Planeta chamado Terra, no continente sul-americano, mais especificamente num estado chamado Pará, numa cidade quente e úmida por demais da conta chamada Belém, isso dos outros não mentirem pra mim obviamente é uma coisa que não acontece.

E quando a tal da mentira é descoberta, eu sofro². É, assim mesmo: ao quadrado!

Como eu queria que as pessoas fossem honestas comigo. E transparentes! E me dissessem o que realmente pensam. Existem tantas formas de se dizer a verdade de uma forma não ignorante nem ríspida. Ouvir a verdade, especialmente quando ela é uma verdade não tão agradável, faz a gente crescer, evoluir.

Se você me acha incompetente, não me elogie pela frente e critique pelas costas: me fale onde você acredita que eu posso e devo melhorar.

Se você sabe que eu gosto de você, mas você não gosta da mesma forma de mim, não me iluda com gestos vazios, nem alimente um sentimento que pra você não tem importância. Isso é cruel! Seja sincero, e diga, com as palavras certas, que simplesmente não está interessado.

Se você acha que fiquei horrível com tal roupa, ou com tal cabelo, não dê um sorriso amarelo e diga que estou linda: sugira, de forma simpática, que eu mude a roupa, ou o penteado.

Qual é a graça, afinal, que há em enganar os outros? Que espécie de divertimento isso proporciona? E se fizessem isso com você, como você reagiria? Ou, melhor, como você reagiu quando descobriu que tinham feito isso para você: lhe enganado, ocultado, omitido, mentido descaradamente…? Sim porque todo mundo já passou por esse tipo de situação pelo menos uma vez na vida. Foi bom pra você? Não foi não, né? Você provavelmente chorou, e não foi pouco, estou certa? Você, possivelmente, teve vontade de quebrar tudo o que via pela sua frente, ou de bater no primeiro que lhe dirigisse a palavra, ahn? Pois então…lembre-se disso na próxima vez em que pensar em mentir pra alguém, fazendo-a de boba. Porque eu, com certeza, vou me lembrar das vezes em que me fizeram sentir assim. E, por isso, vou me esforçar ainda mais pra continuar sendo verdadeira. Afinal, mesmo doendo doendo doendo, eu prefiro a dor da verdade dita do que a da mentira descoberta!

*Vou lhe dizer a verdade sobre a verdade: ela dói. Então, nós mentimos.

PS: Escrevi esse texto há um tempo atrás, mas tinha deixado “de molho”…

Qualquer semelhança é mera coincidência…*

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“Era uma vez uma garota chamada Meredith Grey. Era uma garota comum, sentada no balcão de um bar qualquer de Seattle, celebrando sozinha seu ingresso no Programa de Residência Médica de um dos melhores hospitais dos EUA. O que ela bebia? Tequila…

Era uma vez um homem chamado Derek Shepherd, recém-chegado de Nova Iorque. Neurocirurgião renomado, sentado na mesa de um bar qualquer de Seattle, tentando se adaptar à cidade e à nova realidade que o esperava e para a qual ele havia fugido, após os últimos acontecimentos. O que ele bebiba? Scotch…

Seus olhares se cruzaram. Eles se falaram. Conheceram-se. E quando haviam se dado conta, já estavam nus, deitados no chão da sala da casa dela.

Na manhã seguinte, ela o dispensa, toma banho e vai para o hospital. Era seu primeiro dia! E então, quando chega lá, descobre que o seu caso-de-uma-noite-só seria um dos seus chefes pelos próximos anos. Destino? Ou ironia do destino?

Após o impacto da surpresa, ela opta por tentar deletar aquele dia, ou melhor, aquela noite de sua memória, para o bem de seu aprendizado e vida profissional.  Sério mesmo? Ah! Como seria tudo tão diferente se fosse possível ser racional assim…

Os dias iam passando e as investidas de Derek, muito interessado em Meredith, não cessavam. Até que ela não quer mais resistir, e decide entregar-se: ao desejo, ao sentimento, a ele…

Mas, nesse dia, justo nesse exato dia, surge Addison, a esposa de Derek. Esposa? Então, ele é casado? Mas que canalha…!

Sim, Derek é casado. Ou era. Depende do ponto de vista. Havia mais de uma década que ele e Addison relacionavam-se. Os dois, médicos, trabalhavam e moravam em Nova Iorque. Tinham a vida aparentemente perfeita. Eram o casal aparentemente perfeito. Bonitos, ricos, bem sucedidos…até o fatídico dia em que Derek, ao chegar em casa do trabalho, flagra Addison na cama com Mark Sloan, melhor amigo de infância de Derek.

Como reagir a isso? Como superar tamanha traição? Derek preferiu não pensar. Apenas pegou seu trailer, fez alguns contatos e decidiu atravessar o país de leste a oeste, para ficar o mais distante possível do cenário da dor.

Agora, semanas depois, Addison resolveu procurá-lo, numa tentativa desesperada de salvar seu casamento.

E Meredith? Como fica no meio de tudo isso?? Transtornada. Obscura. Depressiva. Furiosa. E tantas outras coisas mais…Derek pede o divórcio, e está com os papéis prestes a serem assinados.  Meredith, ansiosa, nervosa, depressiva, e não sabendo mais o que fazer, tampouco conseguindo  resistir aos torturantes olhares de Derek, lhe diz:

OK, é isso. A sua escolha é simples: ela ou eu. E eu tenho certeza de que ela é ótima. Mas, Derek, eu te amo. De uma maneira muito, muito grande. A ponto de fingir gostar de seu gosto musical, deixá-lo comer o último pedaço de uma fatia de chessecake, segurar um rádio sobre a minha cabeça pra fora da janela. Infelizmente…a ponto de me fazer odiar amar você. Então, queira a mim. Escolha a mim. Me ame! Eu vou te esperar hoje a noite, se você decidir assinar os papéis…me encontre.

Mas, por razões que fogem tanto à emoção quanto à razão, Derek não assina os papéis. Ele não vai encontrar Meredith. Ele não a escolheu.

Como então, Meredith pode recuperar-se de tamanho baque? Como fazer com que esta dor absurda e este buraco em seu peito deixe de existir? Quisera ela saber…só o que ela sabe, é que dói demais…e então ela entra em um ciclo vicioso e destrutivo: tequilas depois do expediente, vários casos-de-uma-noite-só, pular, dançando, pela casa, com a música tocando no volume mais alto, num tentativa desesperada de não ouvir seu coração gritando por ele.

Meses se passam…e Derek, também torturado por vê-la daquele jeito,  e ensandecido por saber que a cada noite ela está envolta em braços que não são os seus, chama-a de vadia. Meredith reage, aos prantos e berros:

– Você não tem o direito de me chamar de vadia. Quando eu te conheci, eu pensei que tinha achado a pessoa com quem eu ia passar o resto da minha vida. E então, todos os caras, os bares e os óbvios problemas paternos  que tenho, de que importavam, pois eu achei que tinham acabado. Você me deixou. Você escolheu a Addison. Agora, eu estou com meus pedaços todos colados de volta e não, eu não me justifico pela forma como eu escolhi consertar aquilo você quebrou. Não me chame de vadia! O que eu representei pra você, afinal?

– Você?…Depois de tudo o que aconteceu, de tudo o que vi e vivi, você foi como retornar à superfície para respirar, após um longo e profundo mergulho.

O que na realidade Meredith não sabe é que, como ela, ele também sofre. Sofre por constatar a cada dia que amanhece, que fez a escolha errada. Sofre porque não consegue perdoar Addison. Sofre por não conseguir mais amá-la. Pois, na verdade, a mulher que ele ama agora é Meredith. Mas…ele não a escolheu. Ele escolheu Addison. Por acreditar, erroneamente, que ainda seria possível salvar o que já não tinha mais salvação. E assim, ele sofre. Meredith sofre. E Addison sofre.

Em um Natal, ela pergunta a Derek:

– Até quando você vai me punir pelo que eu fiz? Eu só preciso saber, pois assim irei encomendar uma camada de pele mais grossa pra poder aguentar.

– O Natal faz com que você queira estar com as pessoas que você ama. Eu não estou lhe dizendo isso para lhe magoar, nem porque eu quero deixar você, pois eu não quero. Mas a Meredith não foi apenas um caso. Não fiquei com ela por vingança. Eu me apaixonei por ela. E isso não desaparece só porque eu decidi ficar com você.

Em um certo dia, há uma ameaça de bomba no hospital. E quem está lá, sem poder sair? Meredith. Após toda confusão de polícia, bombeiros, explosão, morte, ela sai bem e sobrevive. À noite, Derek vai, sem avisar, à casa de Meredith, apenas para constatar que está tudo bem com ela.

– Ei. Você quase morreu hoje.

– Sim, eu quase morri hoje.

Derek fica olhando para ela, começa a andar para trás, em direção a porta, quando Meredith diz:

– Eu não consigo. Eu não consigo me lembrar do nosso último beijo.Eu quase morri hoje e tudo o que eu conseguia pensar era que eu não me lembrava quando foi nosso último beijo, o que é patético, mas…a última vez em que nós estávamos juntos e felizes, eu…eu não consigo me lembrar. Não consigo. Não recordo.

– Estou feliz que você não tenha morrido hoje…

Ele volta-se para a porta, abre. Mas antes de sair, diz:

– Era uma quinta de manhã, você estava vestindo aquela camiseta pequena e velha da Dartmouth com a qual você fica tão bem, aquela que tem um buraco atrás do pescoço. Você tinha acabado de lavar seu cabelo e ele cheirava a algum tipo de…flor. Eu estava atrasado para uma cirurgia, você disse que me encontraria depois, e então você se inclinou em minha direção, pôs a mão em meu peito e me beijou. De leve.  Foi rápido. Como se fosse um hábito. Você sabe, como se nós fôssemos fazer isso todos os dias pelo resto de nossas vidas. E então você voltou a ler o jornal e eu fui embora. Esta foi a última vez em que nós nos beijamos.

Ele vai embora.


Porque você nunca pensa que a última vez será a última vez. Você acha que haverá outras. Você acha que tem o “para sempre”, quando na verdade não tem…


Passam-se dias, semanas, meses…e por mais uma desta ironias do destino, Meredith acaba se envolvendo com Finn, veterinário do cachorro que ela e Derek haviam comprado, e que adoeceu e veio a morrer.

Derek vai procurar Meredith, para saber como ela está:

– Meredith!

– Me deixe em paz.

– Meredith…

– Apenas me deixe em paz!!!

– Eu só quero saber se está tudo bem.

– Não. Não está tudo bem. Ok? Satisfeito? Eu não estou bem. Porque você tem uma esposa, nosso cachorro morreu e agora você está olhando pra mim. Pare de olhar pra mim.

– Eu não estou olhando pra você. Eu não fico olhando pra você…

– Você fica sim olhando pra mim. E você me encara, e me vigia. E Finn? Finn tem planos, sabia? E eu gosto dele. Ele é…perfeito pra mim, e eu estou realmente me esforçando pra ser feliz, só que eu não consigo respirar. Eu não consigo respirar com você me olhando desse jeito, então pare!

– Você pensa que eu quero olhar pra você? Que eu não preferia estar olhando pra minha esposa? Sou casado! Tenho responsabilidades. Ela…ela não me leva a loucura. Ela não faz com que seja impossível eu me sentir normal. Ela não faz eu ficar com meu estômgao embrulhado só de imaginar as mãos do meu veterinário tocando-a. Oh…eu daria tudo para não ficar olhando para você!

Eles passam alguns segundos se encarando. Ofegantes. Até que ele a agarra pela cabeça e a beija. Eles fazem amor..e depois vão embora como se nada tivesse acontecido.

No dia seguinte, Derek vai atrás de Meredith:

– E então, o que isso significa?

– Significa que você tem uma escolha. Você tem uma escolha a fazer. E eu não quero apressá-la a fazer essa escolha antes de você estar pronta. Nessa manhã eu vinha aqui…eu ia dizer…o que eu queria dizer é que…mas agora só o que eu consigo dizer é que… eu estou amando você. Estou apaixonado por você desde…sempre! Sim, eu estou atrasado. Sei que eu estou um pouco atrasado em lhe dizer isso. Eu apenas, eu apenas quero que você leve o tempo que quiser, sabe? Tome todo o tempo que você precisar, porque você tem uma escolha a fazer. E quando eu tive uma escolha a fazer, eu escolhi errado. Boa noite!

Derek finalmente descobriu o que ele queria. Ele a queria. Ele queria Meredith. Ele queria casar com ela. Queria ter filhos com ela. Queria construir uma casa pra ela. Tudo o que ele queria era morrer aos 110 anos de idade, nos braços dela. Ele não a queria apenas por 48 horas ininterruptas. Ele a queria por uma vida inteira! Ela era aquela ao lado de quem ele queria acordar e ir dormir todos os dias, e fazer tudo entre esses dois momentos do dia. Ele havia entendido que eles, juntos, podiam ser extraordinários, muito mais do que apenas ordinários, se separados...


Sei que esse texto não ficou tão bom, mas quis publicá-lo mesmo assim. Resolvi escrevê-lo 100% baseado e inspirado na trama de Grey’s Anatomy – vide observação abaixo – que é um seriado pelo qual me apaixonei desde o ano passado, em uma época muito particular e específica da minha vida, onde um turbilhão de coisas  importantes e gigantescas (pelo menos, pra mim) estavam acontecendo ao mesmo tempo. Ele me cativou desde o primeiro episódio, por causa da história, por causa do romance, por causa da trilha sonora (que é ma-ra-vi-lho-sa!!), por causa do Patrick Dempsey (rsrsrsrs), por causa dos diálogos tão verdadeiros, por causa das narrações tão profundas e reflexivas. Já cansei de chorar assistindo aos episódios. E também, por diversas vezes, já passei o restante do dia pensando e refletindo sobre o assunto em torno do qual o episódio girava. Tem muito material humano ali. Demais mesmo…Por tantas e tantas vezes eu já me identifiquei com alguma fala ou frase, com alguma situação, com alguma dor das personagens, com algum dilema…E sim, é claro que eu sei que eles não existem na “vida real”. São personagens, afinal. Falsos. Fictícios. Mas, é impressionante como a gente encontra veracidade e correspondência entre os acontecimentos da trama e as nossas vidas aqui fora. Então, por tudo isso, é que eu resolvi fazer esse texto. Alguns diálogos foram copiados na íntegra, eu apenas os traduzi. E é por isso, também, que o título dele é “Qualquer semelhança é mera coincidência”. Por que, de fato, há sim MUITAS  semelhanças. Mas, elas são simples coincidências. E nada  mais além disso…


(* Texto escrito baseado na trama de Grey’s Anatomy, seriado exibido há 6 anos pela TV norte-americana, produzido por Shonda Rhymes, e cuja estória principal gira em torno do romance de Meredith Grey e Derek Shepherd.)

Eu só queria dizer

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Eu só queria dizer:

– que estou sofrendo mais do que esperava, mas menos do que deveria…

– que queria muito que isso tudo passasse logo;

– que o sentimento de frustração faz a dor da perda ser mais aguda;

– que eu tinha esquecido como fins de relacionamentos são difíceis;

– que a sensação que tenho é a de que terei que me reconstruir agora, pedaço por pedaço;

– que ficar só pode ser bom e ruim ao mesmo tempo;

– que eu ainda acho que me devo um porre, daqueles homéricos , (de preferência de tequila Jose Cuervo plata) por tudo o que tem acontecido;

– que eu daria minha vida por uma viagem pro outro lado do mundo onde eu pudesse encher minha cabeça com coisas novas e me desintoxicar de tudo por aqui;

– que eu queria tanto que as pessoas não me perguntassem por ele quando me encontrassem,apesar de saber que isso é meio impossível;

– que outros caras não se aproveitassem esse momento de carência pra vir me cantar. Isto é um saco!;

– que eu não tivesse nunca mais que passar por isso na vida,embora eu saiba que isso é uma coisa que não se tem muito como impedir;

– que eu sei que isso tudo vai passar, mas que eu NÃO acredito que o tempo seja o melhor remédio,como se diz por aí.