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Impressões digitais.

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Cada pessoa existente no mundo possui impressões digitais únicas. É impossível, e você nunca irá encontrar dois seres humanos com impressões digitais iguais. Eu, particularmente, acho isso incrível! Lembro que quando estudei Medicina Legal lá na UnB, tive um professor excelente (comparando ao péssimo professor da mesma disciplina que tive que refazer – por causa da carga horária diferenciada – quando voltei pra UFPa), e que me fez tender legal essa parte “dactiloscópica”.

Em resumo, basicamente toda a camada externa da nossa pele possui céulas gordurosas. Em alguns lugares específicos, tipo a ponta dos dedos, por causa dos sulcos (essas marquinhas que vocês vêem na foto acima), por mais que a gente lave muito bem as mãos com sabão, sempre haverá resquício da gordura produzida por tais células. É por isso que em qualquer coisa que tocarmos com as mãos nuas, ficará nossa impressão digital.

Acontece que, na minha humilde opinião, não é só no mundo “físico” que a gente tem essas tais impressões digitais, não. Vocês já pararam pra pensar que uma pessoa pode perfeitamente ser capaz de deixar digitais na nossa alma?

Enquanto escrevo esse texto, impossível não lembrar de uma colega de trabalho que é fã do mais recente fenômeno do mercado fonográfico brasileiro, o tal Luan Santana, e tem uma canção dele que ela vive cantarolando, cuja primeira estrofe é: “Deixou digitais em mim…”. Mas sabe que, tosquices a parte, o tal Luan (ou seja lá quem for que tenha escrito a música) tem razão? Ou você nunca foi “vítima” de uma pessoa que tenha te marcado TANTO a ponto de você ter ficado com as impressões digitais dessa pessoa gravadas por todo o seu ser??? Bem, eu já! E, muito provavelmente, mais do que uma vez…

Funciona mais ou menos assim: você conhece a pessoa. Na grande maioria das vezes, essa pessoa é “apenas mais um alguém”. Então, vocês começam a conversar mais, com cada vez mais frequência, e começam a ver que tem muitas coisas em comum. Daí, com o passar do tempo (que pode ser longo ou curto, varia muito) essa pessoa vai ficando tão íntima e tão próxima de você, e você vai se abrindo cada vez mais, se mostrando cada vez mais, se expondo cada vez mais (este estágio é típico de ocorrer com pessoas que têm o péssimo hábito de confiar facilmente nos outros, como eu, por exemplo), de uma forma que pode-se dizer que aquela pessoa tem um raio-x da sua alma. Quando chega nesse nível, olha, é muito difícil conseguir reverter a situação sem que haja dano para ao menos uma das partes. Vocês convivem tanto, vocês se conhecem tanto, vocês sabem tanto um do outro, e acabam absorvendo coisas do outro, como: maneira de falar, expressões utilizadas pela outra pessoa, gestos, gostos musicais, etc, etc, etc. Aí, meu querido ou minha querida, não tem mais jeito: a esta altura você já está repleto(a) das digitais dela(e)!! Só que, como a vida não é um sonho e muito menos o mundo, um paraíso, acontece alguma coisa pelo meio do percurso que quebra a magia, faz o encanto evaporar e, ou a pessoa sai da sua vida por vontade própria, ou você a expulsa. E então???? Então, que, tudo bem, ela se foi. Mas, você? Está t-o-d-o marcado. Repleto de impressões digitais. E olha, sinto te dizer, mas na grande maioria das vezes, essas impressões demoram a serem apagadas, viu? Isso, quando são! Porque, aqui entre nós, tem umas digitais que (in)felizmente parecem ser eternas.

Eu não sei se já descobri um jeito de me livrar dessas digitais deixadas em mim. O grande problema delas é que se manifestam na forma de lembranças, e quando a coisa não terminada nada bem, lembrar=sentir muita dor. Você sente aquele cheiro daquele perfume, e lá vem a imagem da pessoa na sua mente. Você vai a tal lugar aonde sempre ia com a tal pessoa, e pronto, lá vem a tal digital cutucar sua alma e fazer doer. Você escuta o primeiro acorde daquela canção que você antes odiava ou sequer conhecia, mas que a outra pessoa adorava e, AI, parece uma faca entrando no seu coração! Nessas horas, eu queria ser que nem a Isabella Taviani (kkkkkk) quando escreveu a letra dessa canção, e conseguir ordenar: raspe dos teus dedos minhas digitais!!!!

Sei ser plenamente provável que euzinha tenha deixado “n” impressões digitais em outras pessoas por aí…mas, o que se pode fazer com tudo isso, afinal? Será que “tocar” as outras pessoas com as mãos calçadas em luvas, ao invés de nuas, seria a solução? Mas, se assim for, seria possível relacionar de verdade, de uma forma tão superficial? Acho difícil…vai ver, como (quase) tudo na vida, o ônus do bônus (relacionamentos) sejam as tais fatídicas impressões digitais. E a gente ter que aprender a conviver (ou, a sobreviver) com tudo isso da melhor maneira possível…..

OBS: Falei de digitais referentes a relacionamentos amorosos e envolvimentos românticos. Mas, elas também podem ser decorrentes de amizades, relações familiares, etc. Além disso, também preciso ressaltar, para não parecer assim uma pessoa tão amarga, que existem sim algumas digitais que são legais da gente carregar pro resto das nossas vidas.

Ninguém é insubstituível.

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Cada pessoa que passa ou que está em nossas vidas, cada um desses que vem e que vão, ou que ficam por um tempo, e que deixam um pouco de si e levam um tanto da gente, são pessoas que marcam sim. Cada um a seu modo. Cada qual de seu jeito. É a amiga de infância, que na adolescência já não é mais. É o namoradinho da adolescência, que na juventude já não é mais. É o primeiro marido, que agora já é ex…e por aí vai. A gente tem uma tendência incrível e absurda a se acostumar com a presença dessas pessoas em nossas vidas, e nos acomodamos com isso. Algumas delas saem do nosso “hoje” em função daquilo que chamamos de circunstâncias da vida (em Direito, chamamos de “caso fortuito” ou de “força maior”), ou seja, são aquelas circunstâncias que fogem ao nosso controle ou querer. Exemplo: Um amigo que tem que se mudar pra longe por questões de trabalho. Ou alguém que morre. Etc.

Outras dessas pessoas entram pela porta da frente de nossa vida, sentam-se na sala e lá ficam instaladas por bons e bons anos…e assim desejamos que permaneçam, pois são pessoas que amamos muito e que nos fazem um bem danado.

Há, porém, aquelas que entram, as vezes, até pela porta dos fundos, se instalam e não saem mais. Estaria tudo bem se essas pessoas não nos fizessem mal. Se elas não fizessem a gente sofrer mais do que deveríamos. Se elas não nos ferissem além do que permitimos. Se elas não fossem tão cruéis e dissimuladas a ponto de nos apunhalarem pelas costas, mas quando nos encontrarem, sorrirem e abraçarem como se nada tivesse acontecido. O grande problema é que se essa pessoa estiver a muito tempo em nossa vida, ou ainda que o tempo não seja tão longo assim, mas já tiver um vínculo muito forte, como colocá-las pra fora, então?

Digo isso porque já vi e eu mesma já passei por situação semelhante. Já houve um (ou uns) alguém(ns) por longos tempos em determinados compartimentos de minha vida, que já não me fazia bem algum, pelo contrário. Havia traição, dissimulação, lágrimas falsas, muitas mentiras, falsidade, fingimento, interesse…Mas eu estava extremamente ACOSTUMADA com a presença daquela pessoa naquele lugar. Não era amor, muito menos paixão. Era apenas costume. Permitir a presença dela ali apenas iria me fazer mais mal a cada dia, mas a simples idéia de tirá-la de lá me fazia perder o fôlego, e achar que iria morrer sem. O que aconteceu? Bem, certamente morrer eu não morri. Caso contrário, não estaria aqui escrevendo esse textinho (a não ser que no céu – ou no inferno, nunca se sabe! rsrsrsrs 😛 – tivesse computador e internet). Doeu? Sim, e MUITO! Parecia que tinham arrancado um pedaço de mim. Parecia que a vida tinha perdido o sentido. Parecia de fato que a morte era melhor. Mas, não foi…Porque da mesma forma como a gente se acostuma com a PRESENÇA, também se acostuma com a AUSÊNCIA. Acreditava piamente que nunca mais encontraria alguém que me amasse como ele (e aquilo lá era amor? Sei não…), ninguém que me beijasse como ele, ninguém que me quisesse como ele me quis. E eu de fato não encontrei: encontrei sim, alguém melhor ainda. Que tinha o beijo melhor, que tinha mais respeito, mais carinho, etc…Fui descobrindo que ele não era, de forma alguma, insubstituível. E que poderia até ser que eu não encontrasse outro que tivesse um beijo igual ao dele. Mas esse outro certamente teria outra qualidade, um ponto positivo diferente, e que compensaria os tantos negativos do outro. E por aí vai, por aí segue a vida. A minha seguiu, e tem seguido…não tem amiga insubstituível. Ou irmãos. Nem pais são. Tem quem perca os pais verdadeiros, e ganha adotivos!

Enquanto abrirmos novos espaços na vida pra gente nova entrar, e ir vez em quando retirando os entulhos (especialmente os emocionais) que vão se acumulando e juntando lixo e mosca ao longo dos anos, sempre vai ter quem chegue e acrescente à nossa história. Quem passou, quem ficou pra trás, desses a gente guarda as coisas boas: lembranças, lições, etc. E a quem não acrescenta nada além de dor, peso, feridas e lágrimas: Baby, bye que bye bye bye!!!! Porque a vida já é difícil e complicada o suficiente e o tempo, curto demais, pra que eu gaste a minha força e minha energia com quem, definitivamente não é digno disso. Seja essa pessoa quem for.