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Apenas mais um dia cinza…

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dia-cinza1 Tenho tido dias daqueles…dias cinzas. Hoje, foi mais um deles.

O céu, nublado. Cinza! O tempo, fechado. Tempestade! O chão,molhado. Água da chuva! Penso que tudo isso talvez seja só um reflexo da minha alma. Ela anda assim, dessa cor, cinza. Cor sem graça. Mas, extremamente significativa.

Não tem chovido só lá fora…chove aqui dentro também. E, ao mesmo, aqui dentro também é terra seca. Cada vez mais encharcada. De água das lágrimas ou de sangue? Eu não sei…

A cor que colore minha alma também vem das cinzas caídas sobre mim. Tanta coisa foi queimada, tornada inútil, jogada fora…coisas que eu achava serem tão importantes, essenciais, até, e que depois, descobri, apenas ocupavam lugar em vão. O que será melhor: o vazio ou o inútil? Ainda estou descobrindo…o vazio é dolorido, mas carregar coisas das quais não preciso é exaustivo demais!

Eu já não sinto mais muita graça em nada. Eu olho, e só enxergo cinza e os seus tons…será que minha alma ficou daltônica, depois de tanta ferida, mágoa, desilusão e decepção, inclusive comigo mesma…?

E, pergunto, será que é possível encontrar alguém, qualquer alguém que seja, que possa me ajudar a recuperar o que perdi? Mas, se eu nem sei direito o que perdi, ou muito menos em que parte do caminho ficou…

Eu queria um abrigo. Eu preciso de um colo, e de um ombro. Sincero, verdadeiro. E que me entenda. Não quero ser julgada nem apontada. Muito menos, mal interpretada, injustiçada.

Mas, eu me sinto tão…cansada! Exausta, na verdade. Com vontade de entregar os pontos e não tentar mais nada. Desistir de tudo. Desistir das pessoas, de acreditar nelas. Desistir de ter esperança. Desistir de mim, e simplesmente sumir, fugirrrrrrr. Só que então, eu lembro que pra qualquer lugar que eu vá, eu mesma vou estar lá, então, qual o sentido disso tudo, afinal?  Talvez a cor cinza esteja em meus olhos, e se assim for, a menos que eu mude, nada ao meu redor vai mudar. Só não queria mudar pra pior…ter que ser mais dura, mais seca, mais fria, mais racional, mais grossa…ser assim nao seria ser quem eu sou, e tentar ser quem eu não sou não iria me deixar ainda mais cansada??

Queria tanto dias mais coloridos, e até mesmo, menos chuvosos…não só lá fora, mas dentro de mim. Queria passarinhos verdes. Céus azuis. Tardes alaranjadas. Arco-íris no horizonte. Será que isso existe, afinal? Começo a me perguntar se não é tudo mentira, ilusão…como nesse filme. Começo a duvidar daquilo que antes era a razão do meu existir. Começo a questionar, sem encontrar resposta lógica ou plausível, tampouco palpável.

Assim, eu quero parar. Só isso…

E apenas chorar.

Quem tem um colo, um ombro e uma mão pra fazer cafuné, pra me emprestar???

Dor.

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“A dor assume muitas formas. Uma pontada. Uma dorzinha, uma que vai e volta. Dores normais nós temos todos os dias. Mas existe aquela dor que não podemos ignorar. Uma do tão grande que bloqueia tudo mais. Que faz o resto do mundo desaparecer. Até que a única coisa em que podemos pensar é como está doendo. Como lidamos com a dor é com cada um de nós. Dor. Anestesiamos, aturamos, abraçamos, ignoramos. E para alguns de nós, a melhor maneira de lidar com a dor é na marra.Dor. Você só tem que enfrentá-la. Esperar que vá embora por si mesma. Esperar que a ferida que causou, sare. Não existem soluções. Nem respostas fáceis. Você só respira fundo e espera até que passe. Na maioria das vezes, a dor pode ser tratada. Mas às vezes, a dor te pega quando você menos espera. Te ataca de modo traiçoeiro e não te deixa.   Dor. Você só tem que lutar contra ela. Pois a verdade é que não é possível livrar-se dela. E mesmo que fosse, a vida sempre criaria mais.”(Meredith Grey, em Grey’s Anatomy – ep. 02.04)


Sinto dor.No meu peito, juro que existe um buraco. As pessoas podem não ver. E eu mesmo, quando olho no espelho, não o vejo. Mas, eu sei que ele está lá, porque eu sinto. Fazendo uma referência bem adolescente e um tanto quanto tosca: como quando a Bella Swan foi abandonada pelo Edward Cullen em “Lua Nova”, e ficou meses a fio como que ligada no piloto automática. Não consigo lembrar da última vez em que fiquei tão triste assim…não consigo! Eu tinha me esquecido de como sofrer por causa disso era tão ruim e difícil!

Minha vontade? Ficar o dia inteiro trancada no quarto, debaixo das cobertas, dormindo. Porque, pelo menos enquanto durmo, não penso. Mas, ainda assim, o buraco e a dor não saem de lá. Sim, eu sei que está tudo muito recente. E eu odeio ouvir as pessoas dizerem que isso vai passar, porque, pô, eu sei que vai. Um dia vai, quando vai ser esse dia eu não sei, pode demorar, pode ser logo…só que quando a gente se sente assim, parece que é tão forte que nunca vai ter fim.

Eu ando por aí, saio, trabalho, malho, respiro. E tento esconder tudo isso.  Talvez até algumas pessoas nem percebam nada.Mas…(suspiro)… é tão difícil…sei que não sou boa atriz, nem boa em fingir nada. Nunca fiz teatro! Se pelo menos existisse um analgésico que fizesse essa dor passar. Tem horas que, sem eu me dar conta, as lágrimas começam a sair dos meus olhos. Já tive que sair da minha sala no trabalho várias vezes nos últimos dias, por causa disso.É um saco! E eu não sei exatamente o que fazer pra que isso não aconteça,  pra que o buraco e o vazio não doam tanto tanto.

Não sei. Não sei. Não sei.

As pessoas falam comigo e só o que eu escuto é “Blá, blá, blá, blá!”. Não consigo me concentrar e confesso que ando até com receio de dirigir, porque, por exemplo, já passei do retorno que tenho pegar pra ir pra minha casa umas 3 vezes. Simplesmente, esqueci. Desligada. Distraída. Avoada.

E sabe o que é o pior de tudo?? É que eu concordo com tudo o que ele disse. Ele tem razão, em tudo! E não tenho nem um pingo de raiva nem de mágoa, porque até agora não tenho motivos pra isso.

E tudo o que eu posso fazer é continuar respirando…