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Mudanças

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Quanta coisa vive mudando na vida da gente, não é? Não sei na vida de vocês, mas na minha é assim…eu até sempe brinco e quem me conhece, também sempre brinca comigo, dizendo que minha vida mais parece uma novela ou até mesmo um seriado, com direito a várias temporadas e episódios daquele sque deixam o suspense no ar, para as “cenas do próximo capítulo”.

Não vou me remeter a muito tempo atrás, mas se pensar nos últimos 30 dias da minha vida, é impressionante a quantidade de acontecimentos significativos que implicaram em diversas mudanças…mudanças de planos, mudanças de prioridades, mudanças de decisões, mudanças de sentimentos, mudanças de opiniões, mudanças de sonhos, de alvos, de objetivos…enfim, MIL MUDANÇAS!

As vezes, é tanta coisa que acontece comigo ao mesmo tempo, que até eu demoro a conseguir me atualizar nos acontecimentos! E, pior, é tanta coisa surreal e bizarra, que nem eu acredito na minha própria vida! rsrsrs É, gente, não é fácil ser eu não! rsrsrsrs

Tem mudança que é boa, mudança que é MUITO boa, tem mudança que é ruim, e mudança que é MUITO ruim. Acho que nesse ínterim, experimentei de todas elas.

Conversando com meu mais novo melhor amigo de infância, que também está prestes a passar por umas várias mudanças na vida dele, ele me perguntou se eu não sentia medo. É claro que sim! Fico, por vezes, com o coração apreensivo…mas também, já aprendi que isso não vale muito a pena. Porque, ou melhor, pra que adiantar a angústia? Se vai que até chegar o dia da mudança acontecer, de fato, ela já pode até ter mudado! Deu pra entender?? E então, todo seu stress e pré-ocupação terão sido em vão.

Eu tô num momento zen…tenho decidido não me stressar, nem me preocupar, tampouco me pré-ocupar com as coisas. Mesmo diante de tantas mudanças…sei que umas estão ao meu alcance e dependem de mim para acontecer. Outras, nem tanto assim. Por isso, deixo acontecer, deixo fluir, deixo rolar…e sabe? Tem sido bem mais simples enfrentar a vida desse jeito. A gente se diverte mais, sente menos dor de cabeça, fica com a pele melhor, fica mais leve, em todos os sentidos…Sabe, eu tava cansada pessoal…andava me stressando demais, perdendo noites de sono chorando por causa de mágoas e coração partido, desilusões, falsas esperanças…isso tudo foi terrível pra mim, me desgastou absurdamente! MAS, o lado bom foi que me fez amadurecer um tanto, isso não posso negar. Tá certo, me deixou um tanto quanto calejada, e desconfiada, ressabiada. Mas, desde que não exagere, isso pode ser bom, não é?

Quero seguir assim…mudando, sendo mudada…sem que seja, necessariamente, inconstante.

E quero seguir fazendo menos planos, e calculando menos…pra que fazê-los, se, na grande maioria das vezes, eles acabam mudando por si só?? Melhor viver, então! Simplesmente, deixar a vida acontecer, tendo, é claro, o cuidado de nunca deixar a direção livre, leve e solta. Muito embora, tem algumas horas em que um pouquinho de emoção e de perda da direção não fazem mal a ninguém! 😉

Burguesinha?? Burguesinha!!!

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“Vai no cabeleireiro, No esteticista
Malha o dia inteiro.Pinta de artista

Saca dinheiro.Vai de motorista
Com seu carro esporte,Vai zoar na pista

Final de semana Na casa de praia
Só gastando grana,Na maior gandaia

Vai pra balada,Dança bate estaca
Com a sua tribo Até de madrugada

Burguesinha, (5x) Só no filé
Burguesinha,(5x)
Tem o que quer
Burguesinha, (5x)
Do croissant
Burguesinha, (5x)
Suquinho de maçã”

Então, passei uma boa parte da minha vida sendo “xingada” de filhinha de papai, paty, patricinha, riquinha, burguesinha, etc. Quando digo essas palavras, quero me referir a uma pessoa fútil na sua essência, vazia, egoísta e egocêntrica,alienada…

Acontece que a grande maioria das pessoas que me “xingava” dessas coisas, na verdade, sequer me conhecia direito. Não sabiam quem eu era, como eu era, tampouco de onde vim, minha história de vida…durante um bom tempo isso me chateou bastante. De uns tempos pra cá, não muito mais…talvez porque hoje eu tenha mais bem definido na minha mente quem eu de fato sou.

Já fui discriminada por ser tachada assim na escola, na rua, na vizinhança, na igreja (pasmem!!), e até no trabalho! Nunca esqueço, por exemplo, de um dia em que, no meu primeiro emprego, um colega de trabalho, me comparando com outra moça da mesma empresa, perguntou quantos sapatos ou bolsas eu tinha e eu respondi, inocentemente, que não sabia (como, de verdade, até hoje não sei!). No mesmo dia, ele me viu escovando os dentes com uma escova de dentes elétrica daquelas à pilha, o que foi o suficiente para que durante muito tempo ele “encarnasse” na “patricinha” aqui. O legal deste episódio é que os meses foram passando, ele foi me conhecendo cada vez mais, nos tornamos bons amigos, e de uma maneira muito natural aquela imagem da burguesinha-mimada-fresquinha que ele havia montado na cabeça dele a meu respeito foi desfeita.Até hoje a gente lembra junto dessa história, e ri…!!!

Lembro que o que mais me chateava(chateia) quando aconteciam episódios semelhantes (hoje em dia, cada vez mais raros, graças a Deus!!) era justamente o fato da pessoa me rotular sem antes me conhecer! Bastava uma mera impressão, ou, de repente, ter ouvido um comentário (invejoso, na grande maioria das vezes, diga-se de passagem) de uma outra pessoa a meu respeito, e pronto: Aquela ali? É a Ana Paula. Paty, enjoada, fresca, metida, filhinha de papai…”. Uma das frases que mais ouvi em toda a minha vida? Poxa, você é legal! Quando te via, achava que eras chata, fresca e metida!”.

Bom, na real eu sou uma pessoa tímida. Quando estou em ambiente familiar, com pessoas amigas, conhecidas e com quem tenho intimidade, fico super solta: rio, brinco, converso, etc. Mas, não sou o tipo de pessoa “dada”, sabe? Daquelas que chega num ambiente e já vai falando com todo mundo, se entrosando, fazendo amizade, sorrindo, gargalhando…não, não, esta definitivamente não sou eu! E, por não ser assim, por ser séria, na maioria das vezes, e recatada, “na minha”, quem me vê, chega a pensar que sou “metida” e “fresca”.

Acontece o seguinte: minha mãe veio de família rica, mas nunca teve nada na mão assim, fácil, teve que trabalhar desde cedo e bancar os próprios estudos, tendo ralado pra caramba, como rala (e muito!!) até hoje. Meu pai, veio de família rica que perdeu tudo graças ao alcoolismo e estilo de vida boêmio do meu avô, o que, de igual modo, fez com que meu pai tivesse que, desde pequeno, “pegar na enxada” e levar a sério os estudos se quisesse mudar de vida, o que ele acabou conseguindo alcançar, tendo sido funcionário público de alto escalão, aprovado em Concurso, durante mais de 30 anos.

Como se vê, nenhum dos dois nasceu em berço esplêndido, assim como eu também não nasci! Pelo contrário…minha mãe me teve em hospital público…e lembro com bastante clareza de quando era pequena e morávamos em casas simples, alugadas, andávamos de ônibus por não termos carro (eu passava mal a beça por causa do vai e vem dos coletivos, o que um dia comoveu minha avó materna, que acabou pegando parte de suas economias e deu a meu pai para comprar um fusca e, assim, eu não precisasse mais andar de ônibus e passar mal! – o fusca foi comprado, depois vendido, e ficamos ainda mais alguns anos sem carro próprio). Com o passar dos anos, pude acompanhar, mesmo sem entender direito, o progresso financeiro e profissional dos meus pais, e eu via isto refletido dentro de casa: lembro quando compramos o terreno onde atualmente fica a casa em que moro com meu pai; recordo quantos anos – no mínimo uns 5 – esta casa passou sendo construída, com o dinheiro do salário deles, aos pouquinhos…; lembro do primeiro carro depois do tal fusca, um fiat todo remendado! E depois, um escort, um chevette, um monza, tudo de segunda mão…; tenho memórias de quando pudemos, finalmente, ter o segundo carro (um da minha mãe e outro do meu pai).

Se eu disser que tive uma vida ou uma infância “pobre” ou apertada, estaria mentindo, pois não tive. Apesar dessas lembranças de um começo mais “humilde”, acho que o fato de ter acompanhado, ainda que inconscientemente, o gradativo crescimento financeiro deles, fez com que eu encarasse tudo da forma mais natural e simples possível! Nunca me faltou nada, materialmente falando, especialmente enquanto meus pais eram casados. Viajávamos de avião todas as férias, ou íamos à praia em quase todos os feriados, comíamos fora com certa frequência, sempre estudei em colégio particular, e nos melhores da cidade, enfim, recordo de poucas vezes em que pedi algo a meus pais e ouvi “Não!” como resposta, ou “Não temos dinheiro para isso!”. Talvez até, hoje eu reconheça que deveria ter ouvido mais “nãos”…eles são bons pra formação do caráter da gente. Computador, celular, CD, DVD, eu lembro que tivemos essas coisas em casa logo que eram lançadas…E olha, quer saber de uma coisa? Eu não vejo motivo algum pra me envergonhar disso, ou pra querer esconder essas coisas. Meus pais não roubaram de ninguém, muito pelo contrário…ralaram pra caramba! E hoje eu sei que eles faziam isso por mim, pela minha irmã, justamente pra poderem dar o melhor pra gente, aquilo que eles não tiveram dos seus pais, queriam dar às suas filhas, e eu acho isso muito bonito e é motivo de orgulho pra mim!! Sabe porque? Porque, mesmo tendo (quase) tudo, eu não fui educada para ser uma garota mimada! Fui muito bem educada pelos meus pais, a saber ser grata por tudo o que tinha, que nem todos possuíam aquelas condições, a saber dividir aquilo que me era dado, não esbanjar, muito menos esnobar para os outros…Agora, se para quem olhava de fora, o fato da gente viajar e passar tardes e tardes nos shopping centers e voltar pra casa com o porta-malas do carro abarrotado de sacolas era algo de outro mundo, o que eu poderia fazer??? Aquilo era a minha realidade, o meu dia a dia, aquilo era normal pra mim!!!

Lembro que quando prestei vestibular, tive a oportunidade de fazer faculdade particular (seria custeada pelo meu pai): eu não quis! Seria bem mais fácil de ingressar, é verdade. Mas eu, com 17 anos, quis começar a ser independente, do meu jeito, é claro, como uma garota de 17 anos, que mora com os pais, poderia ser. Mas, fui lá, prestei vestibular, e passei! Na semana seguinte à minha aprovação, um carro zero na garagem de casa: era meu!! E eu nem imaginava que aquilo aconteceria!!! Segundo minha mãe, com o dinheiro que eles iriam investir pagando as mensalidades da faculdade particular, decidiram comprar o carro pra mim. Tem como ter vergonha disso? Na minha cabeça, não! Porque era a ordem natural do acontecimento das coisas, dentro da nossa realidade cotidiana, naquele tempo.

O fato é que muita gente acha que, por ter tido uma vida assim, tive uma vida perfeita. E, olha, minha vida, como a de qualquer outra pessoa normal e comum, está looooonge de ser perfeita!! Talvez, pra quem não tenha dinheiro ou boas condições financeiras, este seja exatamente o maior problema, o que os faz pensar que, se tiverem dinheiro, terão tudo! MAS, dinheiro não é, nunca foi e nem nunca será tudo! Sei de gente que viveu com tão pouco, mas que era tão feliz e tão satisfeito…! Meu relacionamento com meus pais, especialmente com meu pai, nunca foi dos melhores. Ele era presente, mas ausente, se é que dá pra entender. Hoje, depois da separação deles, nos damos muito bem, e eu sei que na verdade, querendo acertar comigo, ele acabou errando: ele não teve essas coisas todas vindas do meu avô, então quis dar aos filhos. Mas, se esqueceu do restante…da amizade, das conversas, do companheirismo mais forte que o autoritarismo, e por aí vai…(mas, chega de falar disso, talvez seja assunto de um post futuro). Digo isso pra que fique bem claro que apesar de sempre ter vivido bem e estável financeiramente, não tive uma vida perfeita: me faltaram diversas coisas, por outro lado. Coisas, talvez, muuuuuito mais valiosas do que todos os bens materiais que eu tinha!

Hoje, meus pais estão separados há uns 8 ou 9 anos e atualmente (ainda, por um breve espaço de tempo) moro com meu pai. Existe um patrimônio? Sim, existe! Mas, ele não é meu: é deles! É dele, aliás, a grande parte. Se vou herdar, ou o que vou herdar, honestamente, não é uma coisa na qual eu gaste tempo pensando…Sou e sempre serei grata aos meus pais por tudo o que eles me deram, e também pelo que eles NÃO me deram! E, engraçado que quando penso nisso, nas coisas que eu recebi deles ao longo da vida, só me vêm à memória bens imateriais…valores familiares, ser correta e leal, ter caráter, saber agradecer, saber dividir…

Agora, eu já sou “independente”. Tenho minha profissão, meu trabalho, uma renda razoável para minha faixa etária, pago minhas contas. E, olha, não digo isso pra “aparecer” não, sabe porque? Porque sei que eu não fiz e não faço nada além da minha obrigação, afinal, tenho 28 anos!!! Tenho sim, muitas bolsas e sapatos, sou fã de perfumes importados e hidratantes, adoro acessórios, bijuterias, jóias. Frequento o salão de beleza, academia, vou à praia nos finais de semana em que posso, vou pra balada dançar bate estaca com a turma sempre que tô afim (e solteira!), viajo sempre que tenho uma folguinha, adoro comer em restaurantes bons…e qual é o que problema que há nisso, pessoas?? Porque, ao mesmo tempo em que faço tudo isso, também sei economizar e ficar semanas e até meses sem comprar coisas “fúteis” pra mim. Nem cartão de crédito eu possuo!! Da mesma forma que vou a lugares onde se paga 60, 80 reais pra entrar, também sou plenamente capaz de ir a um local onde se paga 5 ou 10 reais e me divertir a noite inteira! Do mesmo modo que eu adoro comer uma boa comida em um bom restaurante, se eu precisar, também sei comer um PF de 5 reais, ou arroz, ovos e farinha, e sem reclamar! Eu amo pão integral com peito de peru defumado e mostarda importada, mas também sei que um pão francês com mortadela tem o seu valor! Viajo constantemente de avião, mas se tiver que ir de ônibus e acampar na beira da praia, eu faço isso na maior tranquilidade e alegria, sem problema algum! Sou poliglota, mas converso numa boa com o carinha da esquina que mal fala o português, e me divirto com ele! Me relaciono bem com a pessoa que possui doutorado em universidade renomada, mas também curto muito bater um papo ou poder ajudar (ou receber a ajuda) de quem sequer tem o ensino fundamental completo! Porque é assim que eu sou, é exatamente isso que eu sou: uma pessoa que não se rotula nem se limita a padrões pré-estabelecidos por terceiros! Se eu pudesse ter um rótulo, seria “não tenho rótulos!”.

Hoje, quando me “xingam” de burguesinha, sabe o que eu faço? Me calo! Se o destino assim quiser, o mundo vai dar umas voltinhas e a “burguesinha” aqui vai acabar se mostrando verdadeiramente, a quem a “xingou”. Não vale a pena perder tempo respondendo a esses “xingamentos”, ou querendo convencer os outros com argumentos, de que eu não sou o que eles acham que eu sou. Deixa pra lá….quem me conhecer de verdade, um dia vai saber que eu não sou nada disso, e então a gente vai rir muito disso, juntos, como eu faço até hoje com aquele meu amigo do primeiro emprego…

Desculpa, sei que o texto ficou muito grande. Mas acho que, na verdade, ele foi mais um desabafo, depois de ter passado muitos anos ouvindo esses “xingamentos”…

“O que você faria se só lhe Restasse esse dia?”

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“Meu amor
O que você faria
Se só te restasse um dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você faria

Ia manter sua agenda
De almoço, hora, apatia?
Ou esperar os seus amigos
Na sua sala vazia

Meu amor
O que você faria
Se só te restasse um dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você faria

Corria pr’um shooping center
Ou para uma academia?
Prá se esquecer que não dá tempo
O tempo que já se perdia

Meu amor
O que você faria
Se só te restasse esse dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você faria

Andava pelado na chuva?
Corria no meio da rua?
Entrava de roupa no mar?
Trepava sem camisinha?

Meu amor
O que você faria?
O que você faria?
Abria a porta do hospício?
Travanca da delegacia?
Dinamitava o meu carro
Parava o tráfego e ria?”

(“O QUE VOCÊ FARIA?”, de Paulinho Moska e Billy Brandão)

IT’S THE END OF THE WORLD AS WE KNOW IT*, já diria Michael Stipe, do R.E.M (uma das minhas bandas preferidas de todos os tempos!!) na música de mesmo nome. Apocalipse?? Fim do Mundo? É…passei essa semana quase que inteira de molho (bem doente) e nos raros momentos em que não estava dormindo por causa da medicação pesada, assisti TV. E, na TV, os noticiários. E nos noticiários, as infinitas notícias sobre desgraças e desastres naturais ao redor do mundo inteiro. Assim, de cabeça e pensando rápido, do início do ano para cá, poderia enumerar: 1-terremoto no Haiti; 2-terremoto e maremoto no Chile e no Pacífico; 3-tempestades absurdas e fora de época em várias cidades do Brasil, com desmoronamento de morros, alagamento de cidades quase que inteiras,etc; 4- tremores de terra (!!!) no Brasil;5-terremoto na China;6-erupção de vulcão na Europa, e por aí vai…….

Logo, vendo todas essas manchetes inundarem os noticiários diários, inevitável pensar que “alguma coisa está fora da Ordem” no planeta Terra,não é? Calma, calma, gente…esse não será mais um texto dizendo sobre como a “mãe natureza” está se revoltando contra a raça humana, nem sobre como deveríamos ter tratado melhor nosso Planeta…mas acontece que, diante de tudo isso, eu parei por alguns minutos pra pensar: E se for isso mesmo? E se o mundo estiver acabando? E se for o fim do mundo, de tudo?? E aí? O que a gente faz?”

Conviccções religiosas a parte (volta de Jesus, um novo céu e uma nova terra, os cavaleiros do apocalipse,etc), esse assunto já foi tema de inúmeros filmes, seriados, novelas, livros e até de músicas. Tem muita gente que acredita, assim como tem muita gente que não acredita. É assunto controverso e polêmico demais! Por isso, não quero me aprofundar nele, sob este aspecto (se é verdade, se não é, quando o mundo vai acabar, como vai ser, etc, etc, etc).

Mas, o questionamento que me veio foi o seguinte: independente se o fim (apocaliptíco) do mundo está próximo ou não, o fato é que nenhum de nós sabe quando irá morrer, certo? E, assim sendo, quando a gente morre, é o fim do mundo pra gente, naquele momento, certo? (com exceção de quem crê em reencarnação, mas aí já é outra conversa…). Então, eu pergunto: O QUE VOCÊ FARIA, SE SÓ LHE RESTASSE UM DIA? Se hoje fosse seu último dia, e não fosse haver amanhã pra você e você soubesse disso, como você agiria? Ou, ainda, se você tivesse uma sentença de morte decretada contra você (seja pela justiça, seja por motivo de doença), como você viveria seus últimos dias? Eu, particularmente, gosto do bom humor com que este filme trata o assunto, e, de igual modo, gosto das indagações que o Paulinho Moska  faz na letra da canção que colei ali em cima.

Você abriria a porta do hospício e trancava a da delegacia?

Transaria sem camisinha?

Mataria quem você odeia?

Pularia de pára-quedas?

Se jogaria de um penhasco, pra adiantar logo o fim?

Sairia beijando a boca de todo mundo?

Comeria, comeria, comeria até a hora do fim?

“Em verdade, em verdade vos digo” que a gente vive a nossa vida com a plena certeza de que sempre haverá o amanhã. Planejamos…temos milhares de sonhos e desejos que queremos um-dia-talvez-quem-sabe-realizar. Mas, e quando chega um momento em que a gente se depara cara a cara com a possibilidade de que este amanhã pode não chegar nunca? E aí???

Falando por mim, fiquei vários minutos aqui pensando em “n” respostas pra essa pergunta: pegaria o 1º vôo pra Itália ou pra França? Finalmente voaria de asa-delta,sem me importar com o preço? Iria atrás da pessoa de quem gosto e diria um sonoro EU TE AMO bem na frente dele, sem me preocupar com a reação, se eu seria rejeitada ou não?? Tomaria um porre homérico, e morreria tonta e bêbada? Daria um jeito de reunir as pessoas que mais amo e passaria os últimos minutos com todos eles juntos? Não sei, não sei…eita coisa difícil de se pensar, viu?

Certamente, possuo uma wishlit** imensa…sou uma menina-mulher super sonhadora. Tenho ainda tantas coisas a realizar, tantos lugares a conhecer, lugares a revisitar, pessoas a rever, pessoas a conhecer, coisas a aprender…muito difícil, senão quase impossível, determinar, em meio a isso tudo, o que teria mais prioridade, diante do fim eminente.

Assim, a única conclusão a que cheguei foi a de que a gente, de verdade, deve viver cada dia de forma intensa e como se fosse o último, porque olha, sinceramente, as vezes a gente perde tanto tempo com coisa e com gente que não vale a pena, e se embaraça, se atrapalha e deixa de ser feliz por causa de conceitos e (pre)conceitos arraigados na nossa consciência, por se apegar demais a bens materiais e a empregos e coisas do tipo, quando na verdade o que te faria, tipo assim, super-tri-feliz, seria pura e simplesmente passar o resto do dia de biquini/sunga, na beira da praia com as crianças e com aquele “alguém especial”, com direito a banho de mar, banho de chuva, e quilos e quilos de camarão com Coca-cola, sem se preocupar com a hora, assim mesmo, como se não houvesse amanhã.

Sim, eu sei, temos responsabilidade. Sim, eu sei, temos contas a pagar. Sim, eu sei, não dá pra viver todo dia assim de “maneira irresponsável”. Sim, eu sei, ninguém vive só de brisa do mar, nem de coca-cola. “Tudo é dinheiro”, já disse um amigo meu dia desses: até a infelicidade é dinheiro!! Mas, aqui entre nós, as vezes, assim, só as vezes, por alguns segundos ou minutinhos que sejam, não dá pra gente parar e pensar se na verdade não é mais feliz quem age “irresponsavelmente”, vez em quando? Esquecer que haverá um amanhã, por vezes, vai te fazer ser mais feliz no dia que se chama HOJE.

*”É o fim deste mundo na forma como o conhecemos”.

**lista de desejos.

As estações da vida.

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Tenho um certo fascínio pelas estações do ano. Elas tem um “quê” de magia, de encanto…acho fantástico que a mesma paisagem mude tanto a cada três meses. Não sei se é porque grande parte dos meus 28 anos de vida eu morei em lugares onde as estações do ano não são definidas (onde moro atualmente, pra mim é verão o tempo todo – modalidade calor e umidade infernais – mas tem gente que insiste em chamar a época das chuvas de inverno, fazer o que?), mas acho tão gostoso essa coisa de você ter um guardarroupa  (detesto escrever essa palavra assim!!) pra cada estação: shorts, mini-saias, vestidinhos, regatas, tops, pro verão. Pro inverno: casacos, jaquetas, cachecóis, pantufas,etc. Acho tão gostoso, também, lembrar as coisas conforme as estações do ano, tipo: o verão de 1993 em Salinas (descobertas!), o verão de 1996 em São Paulo (uma das melhores estações de toda a minha vida!), o inverno de 2000 em Campos do Jordão (paixão!!), o inverno de 2004 em São Paulo (mudanças!!), o outuno de 2003 em Brasília (solidão!), e por aí vai…..

Então, pensando nisso, nessas transformações constantes pelas quais o mundo ao nosso redor (e ao redor de todo o Mundo) passam, penso que a nossa vida também pode ser divida assim, em ciclos como se fossem estações do ano, que na verdade eu gosto de chamar de estações da vida, ou estações da alma.

O inverno da vida da gente é aquela época mais introspectiva, onde o frio, seja da ausência de sentimentos ou das feridas causadas por eles, dói. Aquela época em que tudo o que a gente mais quer é ficar trancada dentro de casa, deitada no sofá ou na cama, debaixo de um cobertor, com meia no pé e caneca de chocolate quente na mão. Tudo pra não enfrentar o frio lá de fora. O tempo fechado, cinza, nublado…nessa época, nossa alma fica assim mesmo: sem graça, opaca. No inverno bem invernoso, você olha as coisas e parece que está tudo morto, sem vida. Parece que não tem mais jeito nem esperança pra que nada renasça. Quem nunca passou por uma fase dessas???

E o outono? Eu diria que é a estação da mudança, da preparação para o novo (que pode ser um “novo bom” ou um “novo ruim”). No outono, as folhas da nossa vida vão amarelando, amarelando, até caírem. Ficamos secos e relativamente mornos: nem quentes como no verão, tampouco frios como no inverno. Parece que tudo é “mais ou menos”, tudo é um meio-termo. Geralmente, os nossos outonos também acabam fazendo ser necessário uma limpeza geral, afinal, quem aguenta ver um monte de folha amarela, seca e morta amontoada pelo chão da nossa vida? Não tem como seguir em frente com esse lixo todo acumulado lá. Quando digo lixo, entendam coisas desnecessárias e absolutamente inúteis. E o pior de tudo é quando a gente insiste em levar esse lixo do outono adiante, estaçao após estação, e a coisa vai acumulando cada vez mais!

A primavera. Ah, primavera, primavera!!! A estação das flores mil! Dos perfumes, dos pássaros cantando, do colorido! Que bom seria se todos os dias da nossa vida pudessem ser primaveris!! Beleza, ânimo, disposição, delicadeza. São os períodos mais gostosos das estações da nossa vida: tempo de sorrisos bobos, de borboletas por sobre as flores (e no estômago tb! rs). É o tempo do renascimento. Enquanto que no outono nos despimos das folhas secas e velhas, na primavera, nos “vestimos” do verde, da vida nova…a primavera é aquela época em que o que de melhor a gente pode fazer é apenas admirar a beleza das coisas (de dentro e de fora), alegrar-se com isso, e fazer o possível para contagiar os outros com esse ar primaveril da nossa vida!

Já no verão…calor, fogo, agitação…alta temperatura do lado de fora, e também dentro de nós mesmos. São aqueles tempos em que parecemos estar a mil: várias coisas importantes acontecendo ao mesmo tempo! Nessa época, como, de igual modo, acontece onde é Verão, os dias da nossa vida também são mais longos do que a noite. Não há tanto choro, nem tanta dor, nem mesmo tanto tempo para se parar e pensar em chorar ou em doer. O verão é o tempo de arejar a alma, de clareá-la, de se mexer, agitar-se…as maiores reviravoltas das nossas vidas acontecem quando a estação dentro de nós é o Verão.

Na natureza, as estações do ano tem que obedecer uma ordem: Primavera-Verão-Outono-Inverno-Primavera-Verão-Outono-Inverno……….Já nas nossas vidas, a ordem nem sempre é essa. Na verdade, aliás, não existe para as estações da nossa vida uma ordem específica. Analisando, por exemplo, os últimos meses da minha, poderia dizer que vivi a seguinte ordem: Verão-Primavera-Inverno, e agora estou no Outono. A ordem, na verdade, quando se trata das estações da vida, não importa. O que importa, e isto sim é consideravelmente relevante, é que a estação seguinte sempre depende, é influenciada e resulta da anterior. Como nasceriam flores lindas na primavera, se as folhas não tivessem caído no outono, e permanecido (aparentemente) mortas no inverno? Como curtiríamos o sol e a quentura do verão com tanto gosto, se não tivéssemos sentido o frio cortante das longas noites invernosas?

O tempo de duração das estações do ano é o mesmo para todas: 3 meses, que fecham um ciclo perfeito de 1 ano. Nas estações da vida, não é bem assim que funciona: há pessoas que passam anos no mais profundo e rigoroso inverno! Já para outras, o inverno dura apenas poucos dias, e logo vem o verão, ou, quem, sabe, a primavera! Mas isso é porque, quando se trata de nós, seres humanos, o que interessa não é o montante exato do tempo em si, mas sim o que cada uma dessas épocas na verdade representa para nós: fases de transição, ciclos de passagem. Três meses de folhas caídas para uma pessoa pode não ser tão necessário quanto um ano de inverno para outra. Cada qual tem seu ritmo, seu tempo, cada vida segue um compasso diferente, dado por nós mesmos. Penso que o importante é não estagnar em estação alguma! Todas as paralisações são maléficas. Elas tendem a quebrar um ciclo, e acabam nos fazendo ter que voltar ao começo de tudo, seja lá onde isso for ou o que isso significar!! Sim, sei que às vezes parece que a coisa fica tão pesada e difícil que o que mais a gente quer é entregar os pontos e simplesmente desistir. Eu mesma, por quantas e quantas vezes já não quis fazer isso?? Mas, se a gente parar, e aí? Aí mesmo é que não vamos chegar em lugar algum! Por isso, a gente deve viver cada estação dentro do tempo necessário para que ela se conclua, e nem um segundo além desse tempo!

Falando de mim: tive um verão agitadíssimo, super intenso, cheio de acontecimentos diários. Minha mente e meu coração fervilhavam!! Daí, os meses foram passando e veio a minha primavera…ah, essa eu bem que queria que não tivesse acabado ainda, por ser tão boa! Época gostosa demais, a da primavera!…Sorrisos bobos para o “nada”, elevadores na barriga, suspiros profundos…Mas, ela acabou! E veio seguida de um inverno que talvez nem tenha sido dos mais longos, mas, certamente foi profundo! Do outono, ainda não posso falar muito, ele mal começou…

Acho fantástico isso da gente: de podermos ser nós mesmos, mas de formas tão diferentes, com intensidades variadas, formatos diversos…Assim como a paisagem da imagem lá de cima muda tanto entre uma estação do ano e outra, é a nossa alma, durante as estações da vida. A minha esteve cinzentinha por um tempo, como vocês puderam ler a alguns posts atrás…agora, ela já está ficando amarelada-alaranjada-avermelhada, o que, creio, eu, já é um bom sinal, pois pelo menos possui cor, não é??

E você, saberia dizer em qual estação sua alma está?

A menina-mulher

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Era uma vez (porque toda história – ou estória – que se preze deve começar aLittle_girl_and_her_balloon_by_AlexandriaRainessim) uma Menina.

Essa menina era bem branquinha,magricela mas bochechuda e tinha os cabelinhos encaracolados (estranhamente, com o passar dos anos, eles foram ficando lisos). Ela era deveras inteligente. Tanto que, quando começou a estudar, com 4 anos, as professoras quiseram logo alfabetizá-la. Mas a mãe da Menininha, muito sabiamente não permitiu. Ela não queria que sua linda e fofa menininha queimasse nenhuma fase de sua vida.

A Menininha teve uma infância muito, mas muito feliz mesmo. Ela tinha tantos amiguinhos na rua em que morava, e eles sempre gostavam de brincar com ela. A casa dela era o ponto de encontro da Meninada toda!

Na escola, a Menininha também fazia muito sucesso com os outros Menininhos (muito embora ela até hoje não entenda ao certo o porquê disso, pois ela se achava uma Menininha tão…normal).

Ao longo dos anos, a Menininha mudou de cidade várias vezes, em função do trabalho de seu pai. Nasceu em Cuiabá, no Mato Grosso. Mas morou em Manaus, no Amazonas, em Belém, no Pará, em Brasília, no Distrito Federal, e sempre sempre estava indo e vindo de São Paulo.

A Menininha amava dançar, e ela fazia isso muito bem. Pelo menos, assim todos diziam. “Seu rosto brilha quando você dança!”, ela ouviu do seu coreógrafo um dia.

Esta Menininha já quis ser tantas coisas: primeiro, ela quis ser caixa de supermercado porque pensava que todo aquele dinheiro ficaria pra ela!!! É…ela era assim, tão ingênua! Depois, ela quis ser dentista, cientista, filósofa, arqueóloga, processadora de dados. MAS, acabou virando advogada, muito embora hoje ela saiba que deveria mesmo é ter sido médica veterinária.

Por 3 vezes, a Menininha quase teve 3 irmãozinhos(as). Mas, foi apenas quase. E ela sempre ficava tristinha quando o “quase” não se realizava. Porém, ainda assim ela teve sorte de ganhar uma irmã “emprestada”, uma outra verdadeira, quase da mesma idade, e, mais recentemente, um irmãozinho por quem ela é apaixonada!

Ela, na verdade, era uma Menininha normal, igual a qualquer outra menininha. Ou, pelo menos, assim ela pensava ser. Ela gostava de sorvete, chocolate, escrever no Diário, pular amarelinha, brincar de Barbie. Sonhava com o futuro, com o seu futuro…

E o tempo foi passando, como não poderia deixar de ser. O presente foi tornando-se passado e o futuro, tornou-se presente. E a Menininha já não era mais  tão Menininha assim. Ela foi virando Mulher. E, também como não podia deixar de ser, a Mulher acabou levando algumas coisas de dentro da Menininha. Um pedaço considerável da ingenuidade. Um pouco da inocência e do brilho. Alguns acontecimentos na vida da Menina-Mulher deixaram ela bem triste, e em alguns momentos ela até chegou a querer morrer, muito embora jamais tenha dito isso a alguém. Mas, ela nunca se entregou. Ela sempre resistiu. Acho que pode-se dizer que essa Meninha-Mulher é uma lutadora. Porque ela nunca se conformou em ter tudo em suas mãos, ela sempre gostou de correr atrás, de conquistar. E, nas dificuldades, muito embora ela se deixe abalar por alguns momentos, afinal, ela é humana, ela não pára. Ela escolhe respirar fundo, erguer-se, levantar a cabeça e continuar caminhando em frente…

Até hoje, 28 anos depois, a Meninha-Mulher adora ouvir seu pai contar como foi o dia em que ela nasceu. Seus olhos se enchem de lágrimas, e ela fica com um nó na garganta.

A Menina-Mulher, atualmente, já não sonha com coisas tão grandiosas.Ela quer apenas uma casinha simples, modesta mesmo, onde ela possa ter conforto e tudo que lhe seja necessário. Não quer ser rica, isso definitivamente não lhe faz a cabeça. Ela apenas quer viver bem, e com uma folguinha pra poder viajar e de vez em quando fazer umas estripulias tipo pagar caro num ingresso pro Cirque du Soleil. Mas, acima de tudo isso, mais do que essas coisas, ela quer ter um alguém com quem possa dividir sua vida, suas coisas, seu tudo. Ela quer ser de alguém, e quer ter alguém também, pra si.Isso teria o poder de tornar sua vida perfeita para ela.

Ela já amou. Muito. E ama. E ela sabe que já foi amada. E ainda é. Muito! Mas, sente que ainda falta alguma coisa…

Essa Mulher tem buscado nunca deixar a Menininha de antes morrer dentro de si mesma. Pois, a Menininha é tão cheia de esperança, de brilho, de luz, de vida!!!

E, muito embora hoje ela não tenha ainda tudo com o que sonha, ela sabe que possui muito mais do que merece…e ela é feliz, feliz demais por causa disso, apesar de tudo…!

Esta é a história da Meninha-Mulher.

E essa Meninha-Mulher, sou EU!

SONHO*

“Eu era uma menininha sozinha no meu mundinho, que sonhava com uma pequena casa pra mim.
Eu representava fingindo entre as árvores, e carregava cascas e folhas para minha casa de hóspedes, e dava risadas na minha linda cama verde.

Eu tinha um sonho
De que eu poderia voar do balanço mais alto

Eu tinha um sonho

Longos caminhos no escuro através de madeiras cultivadas por trás do parque.

Perguntei a Deus, quem eu costumava ser.
As estrelas sorriram para mim, Deus respondeu em um devaneio silencioso.

Então eu orei e adormeci .

Eu tinha um sonho
De que eu poderia voar da mais alta árvore
Eu tinha um sonho

Agora estou velha e me sentindo cinzenta. Eu não sei o que deixar para dizer sobre esta vida que estou disposta a deixar.
Eu a vivi plenamente e eu a vivi bem, há muitas histórias que eu vivi para contar. Estou pronta agora, eu estou pronta, eu estou pronta para voar das mais alta asas

Eu tinha um sonho”

* Tradução da música “Dream”, de Priscila Ahn.

“Mas pra quê, se eu tenho a música?”

Padrão

Às vezes, a gente não precisa falar nada… pois o silêncio, por si só, já diz muito! E, às vezes, a gente não precisa falar nada quando uma coisa simples, tal qual essa canção, expressa o que gostaríamos de dizer…

“É, acho que eu vou embora!

Andar pelas ruas da cidade.

Sem endereço, sem identidade.

Levo em mim, saudades de você.

É…acho que eu vou embora!

Deixar para trás tudo pela metade.

Nesse apartamento amei de verdade

E bem dentro de mim, saudades de você.

Já é de manhã!

Palavra triste, de despedida, é o usual,

Não me leve a mal!

Já é de manhã!

Eu vejo a vida passando por nós dois…

E o quê é que vem depois?”

Ps¹: Música “Acho que eu vou embora”, cantada por Vanessa Rangel;

Ps²: É, infelizmente não consegui encontrar um vídeo melhor dela não…

Carta a um desconhecido.

Padrão

Olá! Tudo bom? Resolvi te escrever essa carta porque…bem, nem sei dizer o porquê! Pois, é bem provável que eu (ainda) não te conheça. Ou, pode até ser que a gente se conheça, mas ainda não se REconheça. Então, por enquanto, o jeito é ficar apenas na imaginação, mas sem idealização (o que, confesso, é deveras difícil!).

Ainda assim, mentiria se te dissesse que não tenho expectativas quanto a você, pois é óbvio que sim. E, imagino eu, talvez você também tenha quanto a mim.

Por agora, não tenho muitas coisas a te dizer não. Mesmo porque, enquanto escrevo essa carta, ainda és provavelmente um desconhecido pra mim, e eu não costumo conversar com desconhecidos (sabe como é, desde pequenina ouvindo dos pais: “Não fale com estranhos na rua!” – rsrsrsrs). Mas, apesar disso, há algumas coisas que eu gostaria de te dizer…

Quero te dizer que eu te esperei por muito tempo…e em alguns momentos, até cheguei a duvidar da sua existência. Me desculpe, mas é verdade. Sou sincera! Mas isso você não deve demorar muito pra descobrir quando me (re)conhecer.

Quero te dizer que, uma vez que a gente se conheça e se REconheça, você terá em suas mãos o poder de me fazer a mulher mais feliz desse mundo (sem hipérboles!!) pelo simples fato de saber que você é real, e ainda por cima, por me amar! Aliás, falando em amor, preciso também te dizer que eu pretendo e desejo te amar do jeito que você é. Inclusos aí seus defeitos, manias, bagagens…e, com isso, se e somente se você quiser, desejo te ajudar a mudar aquilo que você talvez não ache legal em si mesmo, ou, o contrário, te fazer enxergar que aquilo que você acha uma falha/fraqueza, na verdade é uma tremenda qualidade! E saiba que você terá a mesma liberdade comigo, sabe porque? Porque eu quero que o “estar ao seu lado” faça de mim uma pessoa melhor a cada dia, em todos os sentidos, e ainda que seja naquilo que, pra quem estiver de fora, pareça um mero detalhe.

Quero te dizer que eu sou romântica (mas isso você também deverá saber pouco depois de me (re)conhecer), e que acredito em amores pra vida toda, e que eu gostaria muito muito que a gente fosse um desses casais que envelhecem juntos um ao lado do outro (porque envelhecer sozinho deve ser dolorido e enfadonho demais da conta!!), e que terei prazer em acordar e ir dormir todos os dias do seu lado, em preparar aquela comida que você gosta, em ser a mãe do(s) filho(s) que você deseja ter (se for uma menininha, melhor ainda!!), e cuidar de você quando você estiver doente, e ser tua companheira em tudo tudo o que você precisar.

Quero te dizer que eu desejo que você seja um alguém que me deixe entrar na sua vida sem que seja preciso implorar (e eu também não quero que você tenha que implorar para entrar na minha!!), e que aceite o meu auxílio sem questionar, nem duvide da autenticidade do meu sentimento por você, e tampouco seja racional e calculista em demasia, pois acredito que isso pode fazer com que a gente acabe por perder tempo em se curtir e em se amar.

Desejo, ainda, que saibas que, muito embora as aparências por vezes enganem, eu sou uma pessoa que gosta de coisas simples, e que não é preciso muito esforço pra fazer sair um sorriso dos meus lábios. Rio de piadas bobas, ainda mais se elas forem contadas por você, porque, quando eu te (re)conhecer e te amar, você vai ser a pessoa mais importante e admirável do mundo pra mim! Gosto dos clichês: flores, bombons, abrir a porta do carro, café da manhã na cama, e por aí vai…Ah! É importante também você saber que, mesmo sendo mulher, eu nunca pretendo deixar de ser menina e, vez em quando, se me der vontade, irei chupar pirulito, usar maria-chiquinha, correr descalça na grama/areia, me divertir com as ondas do mar, tomar banho de chuva, usar calcinhas de joaninhas, brincar com os cachorros (eu os amo!!!)……

Saiba que eu não vou me importar se você já tiver tido outra(s) pessoa(s) antes de mim. Mesmo porque, eu já tive antes de você! Vou respeitar seu passado, sua história, e desejo que faças o mesmo comigo.Não vou estar ao seu lado pra te julgar ou condenar, pois, se o fizesse, estaria me achando superior a você, e isto certamente não sou. Somos iguais, no mesmo nível, nem melhores nem piores. Apenas, humanos, de sexos opostos, que se (re)conheceram nos caminhos e em meio a essas idas e vindas da vida.

Quero te dizer que vai ser um prazer te dar prazer e satisfazer seus desejos, vontades e fantasias, ainda que algumas delas talvez sejam meio estranhas pra mim, mas prometo, ao menos, pensar com carinho. Eu adoro novidades, e vou adorar te fazer surpresas nesse sentido. Adoro fazer carinho!! E vou curtir muito te ver excitado com meu beijo e meus carinhos, te ver arrepiado com meus toques…

Quero te dizer que eu sou uma pessoa cheia de defeitos (você vai identificá-los, com certeza!), tais quais: tenho pânico de baratas, sou meio que viciada em coca-cola, não gostar de acordar cedo, não sou de dirigir muito devagar, não gosto de cartões de crédito nem sou fã de futebol, e tantos outros mais…Além disso, também possuo manias, como: dormir tarde; beber muita água e sempre dormir com um copo d’água por perto;sempre que possível, durmo sem calcinha, e etc.

Eu adoro saladas e sushi, mas detesto beterraba e não curto rúcula! Não sou tão fã assim de frutas, especialmente acerola. Amo tudo que é de milho verde!! Gosto de falar, mas também sou ótima ouvinte. Estou sempre cheirosa (gosto muito de cremes, perfumes, e essas coisas). Tenho a paciência longa, e nas situações difíceis, costumo manter o controle e a calma. Costumo me depilar com cera quente, estou sempre com as unhas feitas e adoro meu cabelo. Gosto de ler e amo cantar! Se você quiser, cantarei todos os dias no pé do seu ouvido…(Credo! Essa parte ficou parecendo um curriculum, não? risos…)

Já paguei alguns micos, como andar por vários quarteirões com o zíper da calça aberto, tomar banho de piscina nua e estar sendo vista, sem saber, por dois técnicos pendurados em uma torre de celular do outro lado da rua, entrar sem prestar atenção em um carro que foi me buscar, sentar no banco e depois ver que eram a pessoa e o carro errados, abraçar uma pessoa por trás achando que era um amigo e quando a pessoa virou, ver que eu estava enganada, e por aí vai…

Tantas outras coisas eu poderia ainda te dizer, ilustre desconhecido. Mas, creio eu, nada melhor do que o tempo pra te fazer saber de mim tudo aquilo que você precisará saber. Desejo que sejas a pessoa que melhor vai me conhecer nesse mundo! Eu certamente vou adorar ir te descobrindo…e pode deixar que, mesmo que quando a gente se REconheça, este blog já não mais exista, eu vou imprimir este texto ou transcrevê-lo para uma folha de papel, pra que tu possas lê-lo quando esse dia, o dia do nosso REconhecimento chegar! Seja lá ele quando for…em breve, ou não.

Com (muito) carinho,

A Ilustre Desconhecida.