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Solidão!

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“Solidão é estar rodeado de pessoas, e ainda assim sentir falta de uma só.” Quem nunca ouviu esta frase antes?  Recordo que a primeira vez que a ouvi, foi no início da adolescência. Eu li e reli várias vezes seguidas, pois fiquei impressionada como era verdade aquilo, como essas palavras juntas tinham o poder de conseguir traduzir este sentimento/sensação: a solidão. Sabe, eu acho uma palavra pesada, forte! SO-LI-DÃO!

E, recentemente, é exatamente assim que tenho me sentido: ! Sim, tenho colegas no trabalho, e me relaciono bem com a grande maioria deles. Claro que tenho amigas e amigos (alguns deles, inclusive, tem sido essenciais no momento que vivo hoje, me ouvindo a qualquer hora do dia, me emprestando seus ouvidos, ombros e colos…) com quem converso bastante, rio, sorrio, saio, me distraio, me divirto. Tenho também minha irmã do Rio, a Lêlê, de quem estou mais próxima do que nunca nos últimos tempos. Isso, sem falar nos meus pais, os quais, eu sei, estarão sempre ao meu lado, haja o que houver.

MAS, tem horas em que nada parece ser suficiente. Quantas vezes, em uma mesa de barzinho, com música ao vivo, muitas conversas e gargalhadas, alta madrugada, eu já fechei meus olhos e suspirei, por me sentir sozinha. Sim, estava em meio a tantas pessoas. Pessoas que sei que me querem bem, e tudo o mais. Só que, ainda assim, havia solidão em mim!

Acontece que, a despeito do que  a frase lá do começo afirma, na verdade eu hoje não sei dizer ao certo o porque ou quando isso acontece: se é quando estou com o coração ocupado ou quando ele está vazio. Digo isso porque, outro dia, numa conversa meio “filosofal” sobre a vida e as coisas da vida, uma amiga disse que achava que, pior do que ter alguém no coração e sentir saudade por não ter essa pessoa junto com você, é estar com o coração vazio, frio e seco, sem ninguém pra pensar, amar, ocupar…É…de fato, isso é meio ruinzinho mesmo. Se apaixonar é bom e até faz bem pra gente (sofrer pela paixão é que é a parte horrível, ma deixa pra lá, já que este tem sido o tema da maioria dos meus últimos posts…), pois parece que ganhamos mais vivacidade, nossos olhos brilham, o sorriso bobo no rosto vem fácil fácil, enfim…então, a ausência desta paixãozinha significa a ausência destas coisas gostosas que vêm junto (em especial e obviamente quando a paixão é correspondida a altura!). Já não ter ninguém em quem pensar, ninguém por quem suspirar, ninguém de quem lembrar quando ouvir aquela música bonita, isso tudo é chato, e também é dolorido. É doído porque é vazio, e o vazio, o oco, resultam em dor, muitas vezes.

Por outro lado, o simples fato de ter alguém também não significa que não se pode sentir-se só, pois aí existem inúmeras possibilidades: você pode “ter” alguém, mas esse alguém estar longe, e aí junto com a solidão vem a saudade, que é dolorosa demais! Ou, pode haver alguém no seu coração, mas e se você não está no coração dessa pessoa? Então, a dor da solidão vem acompanhada da rejeição! E ainda, pode ser que se tenha alguém, e que se esteja com esse alguém, mas seja uma espécie de “tão perto e tão longe”, sabe? Falta diálogo, falta cumplicidade…você pode namorar, morar junto, conviver, estar casado ha anos até com um alguém, e ainda assim estar só. Estar só porque já não há mais diálogo, já não existe mais cumplicidade. Na cama, na mesma cama que é dividida pelo casal, noite após noite vai sendo colocado um tijolo num muro invisível que os separa e que só é atravessado eventualmente para mera satisfação sexual. Isso também não é estar só, muito embora não se esteja, fisicamente falando?!!

Sabe, meu coração (ainda) está ocupado, muito embora agora eu ache que estou começando a aprender e a conseguir enxergá-lo com olhos de “apenas amigos”. Não, não estamos mais juntos, mas ele (ainda) está no meu coração, e meu coração (ainda) é dele, e ele sabe disso, e é até bem provável, quase certo, que ele lerá este texto. É, eu sei que ele gosta das coisas que eu escrevo…(eu também gosto bastante do que ele escreve…) e, justamente por eu estar assim, tenho passado taaaaaaaantos momentos de solidão. Momentos só. So-zi-nha! E como tem sido difícil enfrentar esse momentos, viu…?

Penso que nenhuma dessas situações que ilustrei acima são piores umas que as outras. Todas são situações ruins e acabam nos fazendo sentir só. Todas elas são deveras doídas e dolorosoas…e acho que a única coisa que se pode fazer para tentar ajudar a atenuar essa dor dos momentos de solidão, é aprendermos a apreciar a companhia de nós mesmos. Esta, na verdade, é a única companhia que sabemos com certeza que sempre teremos a toda hora e em qualquer lugar. Trancado no banheiro: é so você. Com a porta do quarto fechada: é só você. Na hora da doença, no hospital, numa mesa de cirurgia: é só você. Quando se tem um segredo bem segredo, desses que só de pensar que outro pode descobrir, você morre de medo e de vergonha: isto é solidão! No momento de uma prova, um exame, um teste: você esta só. É como dizem por aí…“At the end of the day, no matter where you go, there you are”. (E no final das contas, pra onde quer que você vá, lá estará você.)

Pra encerrar, eis um poema do Pablo Neruda, absolutamente oportuno e propício:

Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já…

Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida…

Saudade é sentir que existe o que não existe mais…

Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam…

Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou.

E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.

O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.

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